Blog da Maria Frô

ativismo é por aqui

07 de agosto de 2009, 01h59

Flavio Sousa: quem fala contra as medidas afirmativas não tem a mínima ideia do que está falando.

Transformo em post um comentário/depoimento (feito neste post aqui) de mais um leitor competente que este blog ganhou nos últimos tempos: Flávio de Sousa, que pode ser encontrado no twitter aqui: @flavio_as

Destaque p/ detalhe importante:

De fato, alunos ingressos por meio de cotas mostram invariavelmente desempenho acadêmico excepcional, tanto objetiva — isto é, pelas notas — como subjetivamente — pela aptidão intelectual que demonstram em sala de aula e nos outros espaços acadêmicos.

Não faço aqui suposições. Infelizmente perdi a fonte, mas lembro de ter saído em 2007/08 da Folha matéria dizendo que os melhores alunos de turmas de Engenharia da Unicamp (e de outras turmas da UnB) eram todos cotistas. Cabe vasculhar a rede atrás dessa pesquisa.

O mesmo vale p/ os bolsistas do ProUni, pelo menos entre aqueles que têm a oportunidade de obter bolsa numa boa universidade — o que, infelizmente, não tem acontecido c/ todos, já que o programa tem despejado inúmeros estudantes carentes em “estabelecimentos comerciais de ensino”, as famosas UniEsquinas.

Nesse aspecto, posso dar meu depoimento pessoal, já que eu próprio e amigos de faculdade estudamos na PUC-SP graças ao programa do Governo Federal. A contar que a mensalidade gira em torno de 3 salários mínimos/mês, pessoas da nossa condição jamais teriam oportunidade se não fosse por meio desse benefício. Especialmente os colegas negros, que sim, são visivelmente mais carentes.

E o que vemos lá dispensa barroquismos discursivos: tenho a satisfação de fazer parte do grupo de alunos com o melhor desempenho na turma (e no curso), grupo este quase todo formado pelos bolsistas. Costumamos dizer que, se o diploma da PUC vale alguma coisa, isso certamente não é graças a quem paga por ele. Muitos de nós têm projetos de pesquisa em andamento ou procuram orientação. Nossa vontade de crescer intelectual e profissionalmente se tornou a referência p/ o curso, não tenho dúvidas.

E que se tenha claro: dos colegas bolsistas negros, que entraram até com pontuação menor que a minha (que não fui cotista), não há um que não mostre e demonstre com sua capacidade intelectual o merecimento de estar lá.

Por isso que, não só como esquerdista, mas como parte dessa revolução social, eu posso dizer: quem fala contra as medidas afirmativas, para os pobres no lato, para as etnias marginalizadas no stricto sensu, não tem a mínima ideia do que está falando.

Veja também:  Weintraub sinaliza que anunciará cobrança de mensalidades na pós-graduação de universidades públicas

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