Blog da Maria Frô

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09 de fevereiro de 2012, 15h38

PMs ’em greve’ na BA podem estar por detrás da morte de cinco moradores de rua

Em entrevista, secretário de segurança fala sobre escutas que flagraram líder dos PMs grevistas
“Para a gente, foi uma confirmação do que nós já sabíamos”, disse Maurício Marbosa em entrevista ao CORREIO

Rafael Rodrigues rafael.rodrigues@redebahia.com.br, CORREIO
09.02.2012
O secretário da Segurança Pública, Maurício Barbosa, falou ao CORREIO sobre as escutas que flagraram o líder dos PMs grevistas, Marco Prisco, ordenando atos para aterrorizar a população.

Como foram feitas as gravações?
Desde os primeiros dias de greve, conseguimos com a autorização da Justiça interceptar alguns números e conseguimos identificar que boa parte das ações criminosas vinha do comando deste mesmo grupo que conseguiu deflagrar o movimento grevista. Para a gente, foi uma confirmação do que nós já sabíamos. 99% dos nossos policiais militares não aderiram de forma agressiva ao movimento paredista. Mas temos também que atribuir a responsabilidade criminal a essas pessoas que praticaram estes atos.

Há então a confirmação de que se trata de um movimento orquestrado com policiais de outros estados?
Sim, é um movimento nacional, que começou no Ceará, Maranhão e Rondônia, veio para a Bahia e da Bahia a próxima greve a ser deflagrada seria no Rio de Janeiro. A intenção é fazer uma pressão em cima dos governadores, em cima dos nossos parlamentares, para que este movimento paredista seja suspenso com a promessa de aprovação da PEC 300. Então nós já temos isso documentado através das nossas interceptações telefônicas. É um movimento que está muito mais a nível nacional do que nós imaginávamos.

As gravações apontam também para ações de vandalismo. Para o governo baiano há a certeza de que se tratam de integrantes deste grupo?
Não há dúvida. Temos algumas interceptações em que logo após a algumas ordens tivemos ações criminosas sendo praticadas. Essas ações nós já temos como atribuir as responsabilidades, deste grupo mais radical, que foi o que deflagrou o movimento. Nossa intenção é apurar cada um dos delitos, principalmente os homicídios relacionados aos moradores de rua, que nós sabemos também que têm participação de pessoas que aderiram ao movimento. É muito importante agora o trabalho da polícia judiciária, da área investigava.

Eles usam códigos como uma tal feijoada, a polícia já sabe do que se trata?
Eles falam para que eles se dirijam para o local da feijoada, o que para a Secretaria da Segurança Pública está muito claro que é o local onde vão praticar uma ação criminosa. Geralmente eles utilizam códigos para omitir ações e logo após essa ordem um ônibus escolar foi esvaziado em Lauro de Freitas e incendiado.

Já há como identificar os autores da morte dos cinco moradores de rua?
Nossas investigações estão bem adiantadas e temos através de testemunhas a identificação de PMs envolvidos com esses crimes, principalmente os praticados na Boca do Rio com os moradores de rua.

Isso muda de alguma forma a estratégia de negociação com o movimento grevista?
A pauta econômica, no que se refere à demanda dos policiais, foi atendida. O que impede a volta ao trabalho é a retirada dos 12 mandados de prisão. Agora cabe a Justiça determinar o destino criminal das pessoas que praticaram esses atos.

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