Notas Internacionais

por Ana Prestes

17 de junho de 2019, 15h10

Bolsonaro diz que Brasil foi admitido pelos EUA como um aliado no plano militar extra-OTAN

Ana Prestes: "Durante o mesmo evento (Festa Nacional da Artilharia) em que fez o anúncio, no Rio Grande do Sul, ele ainda defendeu o armamento da população, como forma de defesa de sua “liberdade” contra governantes absolutistas"

Bolsonaro e Trump (Foto: Alan Santos/PR)

– Durante o final de semana, Bolsonaro anunciou que o Brasil foi admitido pelos EUA como um aliado no plano militar extra-OTAN. Durante o mesmo evento (Festa Nacional da Artilharia) em que fez o anúncio, no Rio Grande do Sul, ele ainda defendeu o armamento da população, como forma de defesa de sua “liberdade” contra governantes absolutistas e que essa mesma população suplante o parlamento no sentido de ajudar o governo possa “impor” sua política.

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– Argentina, Paraguai e Uruguai tiveram um apagão elétrico neste domingo (16). Buenos Aires viveu uma manhã de caos, no transporte, no suprimento de água e nas comunicações. Era Dia dos Pais na capital portenha. O Brasil não foi impactado pelo apagão.

– A Guatemala teve eleições presidenciais ontem (16). Ainda não há uma definição do resultado, pois as apurações tem se dado de modo bastante lento, especialmente no interior do país. No entanto, tudo indica que Sandra Torres do Partido Unidad Nacional de La Esperanza (UNE) lidera a corrida seguida por Eduardo Giammattei do Partido Vamos. Há previsão de segundo turno para o dia 11 de agosto. Cerca de 8 milhões de guatemaltecos estavam aptos a votar. Segundo reportagem do El Pais, ambos candidatos evitaram os dois temas mais sensíveis da Guatemala hoje: o fluxo migratório para os EUA e o retorno da CICIG (Comissão Internacional contra a Impunidade na Guatemala) expulsa pelo atual presidente Jimmy Morales. Sandra Torres se autodenomina socialdemocrata. Giammattei é médico, do campo conservador e próximo do atual governo, disputa pela quarta vez a presidência.

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– Michelle Bachelet, ex-presidente do Chile e que hoje é Alta Comissária de Direitos Humanos da ONU, fará uma visita a Venezuela ao longo desta semana, entre os dias 19 e 21 de junho. Ela vai se encontrar separadamente com o presidente Nicolás Maduro e membros da oposição ao governo. Ela ainda terá encontros com o presidente do STJ, membros da Assembleia Constituinte e da Assembleia Nacional. Em nota sobre sua agenda, também aparece um encontro com “vítimas de violações de direitos humanos e de abusos”.

– O Globo de sábado (15) traz longa matéria de Heloísa Traiano sobre a América Latina como a região mais desigual do mundo e com o risco real de que 120 milhões de pessoas voltem à pobreza após uma década de desconcentração de renda. A situação latino-americana será tema das Jornadas Europeias de Desenvolvimento de 2019, organizadas pela Comissão Europeia, e que ocorrerão em Bruxelas amanhã (18) e na quarta (19). Participarão 8 mil pessoas de 140 países. Entrevistado na matéria, o economista Pedro Barros (Ipea/USP) explica que a América Latina passou por uma “situação excepcional” entre 2002 e 2013, sendo a única região do mundo onde houve crescimento e redução da desigualdade ao mesmo tempo.

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– Passadas as eleições para o parlamento europeu, agora é a vez da disputa para os principais cargos que operam o bloco, como a presidência da Comissão Europeia, do Conselho Europeu, do Banco Central Europeu e do próprio Parlamento Europeu. Um enfrentamento inusitado entre Merkel e Macron, antes aliados, tem marcado a disputa pelas indicações. Na verdade, os franceses estão lidando com o hegemonismo alemão, que marcou a condução do bloco no último período. A presidência da Comissão Europeia é o cargo de maior relevância, e a partir dele se definem os demais. Merkel quer Manfred Weber, líder do PPE (Partido do Povo Europeu), da direita conservadora, para presidir a comissão. Vejamos se ela vai emplacar. Há reunião de cúpula do bloco no próximo dia 20.

– A cúpula entre Xi Jinping e Vladimir Putin durante a última semana chamou a atenção de quem está atento aos movimentos da geopolítica mundial. Durante sua visita a Moscou e São Petersburgo, Xi assinou mais de 30 acordos com Putin e houve promessas de parte a parte de reforço na cooperação bilateral. Durante o encontro houve coincidência de opiniões sobre os casos da Venezuela, Coreia do Norte e Síria. As coincidências aumentam quando se trata de um inimigo em comum, os EUA. Neste momento, Rússia enfrenta a imposição de um isolamento pelos americanos por conta do conflito com a Ucrânia pela Crimeia e a tentativa de impedimento da inauguração do gasoduto construído com a Alemanha, o Nordstream 2. Enquanto isso, chineses enfrentam uma guerra econômica imposta pelos mesmos americanos, tendo a gigante das telecomunicações da Huawei como alvo privilegiado e midiático dos ataques de Trump. As relações diplomáticas entre China e Rússia completam 70 anos este ano.

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– A já tensa situação no oriente médio, entre EUA e Irã, viveu momentos eletrizantes nos últimos dias com explosões de dois navios, um japonês e um norueguês no Golfo de Omã. Trump se apressou em responsabilizar o Irã e o governo dos EUA divulgou vídeo mostrando uma balsa que alegam ser iraniana retirando uma mina que não teria explodido do casco de um dos navios. Os ataques provocaram a elevação do preço do petróleo no mercado mundial. O Reino Unido foi um dos poucos a endossar o discurso dos EUA e acusar o Irã pelos ataques, provocando a convocação por parte do governo iraniano de seu embaixador em Londres.

– A Nicarágua anunciou na semana passada a aprovação de uma Lei de Anistia em sua Assembleia Nacional. A Lei dá anistia a todos que participaram dos protestos contra ou pró governo Ortega a partir do dia 18 de abril de 2018.

– A próxima viagem internacional de Bolsonaro deve ser à Cúpula de Líderes do G20 que vai ocorrer entre 28 e 29 de junho, em Osaka, no Japão.

*Este artigo não reflete, necessariamente, a opinião da Revista Fórum.