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18 de maio de 2019, 13h02

Bolsonaro se recusa a responder porque compartilhou texto que sugere renúncia: “Só repassei”

"O texto? Pergunta para o autor. Eu apenas passei para meia dúzia de pessoas", respondeu Bolsonaro a jornalistas que fazem plantão na porta do Palácio da Alvorada neste sábado (18)

Na manhã deste sábado (18), Jair Bolsonaro (PSL) se recusou a explicar os motivos que o fizeram compartilhar em grupos de Whatsapp um texto que fala que está “sofrendo pressões de todas as corporações, em todos os poderes”, que o País “está disfuncional” e que “até agora não fez nada de fato, não aprovou nada, só tentou e fracassou”, além de sugerir nas entrelinhas, a possibilidade de renúncia. “O texto? Pergunta para o autor. Eu apenas passei para meia dúzia de pessoas”, respondeu a jornalistas que fazem plantão na porta do Palácio da Alvorada. Leia também Autor de ‘texto bomba’...

Na manhã deste sábado (18), Jair Bolsonaro (PSL) se recusou a explicar os motivos que o fizeram compartilhar em grupos de Whatsapp um texto que fala que está “sofrendo pressões de todas as corporações, em todos os poderes”, que o País “está disfuncional” e que “até agora não fez nada de fato, não aprovou nada, só tentou e fracassou”, além de sugerir nas entrelinhas, a possibilidade de renúncia.

“O texto? Pergunta para o autor. Eu apenas passei para meia dúzia de pessoas”, respondeu a jornalistas que fazem plantão na porta do Palácio da Alvorada.

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Nesta sexta-feira (17), ao compartilhar o texto (leia na íntegra), Bolsonaro escreveu a seguinte mensagem:

– Um texto no mínimo interessante. Para quem se preocupa em se antecipar aos fatos sua leitura é obrigatória.

– Em Juiz de Fora (06/set/2018), tive um sentimento e avisei meus seguranças: “Essa é a última vez que me exporei junto ao povo. O Sistema vai me matar”.

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– Com o texto abaixo cada um de vocês pode tirar suas próprias conclusões…

Repercussões
O texto distribuído a aliados foi lido por dirigentes de partidos como um sinal de que o presidente acenou à radicalização para voltar a comandar a cena política. A mensagem foi interpretada como uma tentativa de incendiar convocatória que circula nas redes bolsonaristas para ato em defesa dele, contra o Congresso e o Supremo, dia 26.

Um áudio de um caminhoneiro chegou ao planalto falando em fechar o Congresso e interditar STF para mostrar força à Câmara, ao Senado e “àqueles 11 togados de merda”.

O líder do PDT, André Figueiredo (CE) viu na atitude do presidente a antecipação de um novo Jânio Quadros.

“Vivemos um momento delicadíssimo, onde tudo que vem deste Governo em seus diferentes núcleos ( familiar, militar, financeiro, morista) tem que ser bem analisado e prevenido. Esse texto é um prenúncio de querer ser um novo Jânio, já venho falando disto há algum tempo”, afirmou o congressista

Para o líder do PT na Câmara, Paulo Pimenta (RS) os sinais de deteriorização presidencial são visíveis, havendo ainda possibilidade do presidente ser afastado após o Ministério Público quebrar o sigilo bancário de ex-funcionários do senador Flávio Bolsonaro, filho do presidente.

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“Essa relação dos Bolsonaro com as milícias cresce a cada momento. O próprio desespero da manifestação dele nos EUA contra os estudantes que protestaram [contra os cortes nos recursos da educação] mostra uma sensação de medo principalmente após a quebra do sigilo bancário de 90 pessoas, 12 delas nomeada como parente de Bolsonaro”.

Na avaliação do cientista político Alberto Carlos Almeida, a mensagem indica uma possibilidade de renúncia.

“É sim uma carta de renúncia, mas vinda de Bolsonaro pode ser qualquer coisa. Ele é muito burro: não conhece a língua portuguesa, não sabe utilizar símbolos, não entende dos detalhes da política. Assim, para ele, essa carta pode ser qualquer coisa”, diz Almeida pelo Twitter.

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