Com 4 dias de atraso, Bolsonaro ordenou ao Itamaraty saudar “o tal Boric” do Chile

Presidente extremista apostava todas as fichas no amigo José Antonio Kast, o candidato pinochetista derrotado. Radicalismo nas relações internacionais vem isolando cada vez mais o Brasil

Jair Bolsonaro e Gabriel Boric (Foto: Secom/PR/Campanha eleitoral/Redes sociais)
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Passados quatro dias da vitória de Gabriel Boric, o candidato de esquerda na eleição presidencial chilena, finalmente Jair Bolsonaro determinou ao Ministério das Relações Exteriores do Brasil que enviasse felicitações ao jovem de 35 anos que substituirá Sebastián Piñera.

O anúncio sobre a ordem dada ao Itamaraty foi feito nesta quinta-feira (23), na habitual live semanal do mandatário de extrema direita, que confessou ter mandado seu corpo diplomático saudar “o tal Boric” do Chile. Bolsonaro apostou todas as suas fichas na eleição do país vizinho em José Antonio Kast, um radical de extrema direita, como ele, que evocava o legado do general genocida Augusto Pinochet, que conduziu o país por 17 anos (1973 – 1990) sob uma sangrenta ditadura. Kast obteve apenas 44,1% dos votos, sendo derrotado por Boric, que conseguiu 55,9%.

Não é a primeira vez que o governo encabeçado por Bolsonaro dá esse tipo de vexame e ignora presidentes eleitos democraticamente só porque eles não pertencem à direita de seus países. Em 2020, o Brasil foi último país vizinho da Bolívia a saudar Luis Arce, um esquerdista que fez parte do ministério de Evo Morales. Já em 2019, a vítima da dor de cotovelo do presidente brasileiro foi Alberto Fernández, mandatário argentino, que não recebeu um telefonema ou telegrama de Bolsonaro.

No entanto, o mais conhecido dos papelões da diplomacia brasileira foi o atraso de 35 dias em reconhecer a vitória de Joe Biden na corrida eleitoral que levou o atual presidente norte-americano à Casa Branca. Notório fantoche nas mãos de Donald Trump, o subserviente Jair Bolsonaro embarcou nas maluquices do magnata derrotado na disputa à reeleição e passou a alardear a tal fraude eleitoral que nunca existiu.

Enquanto as redes de televisão e os jornais dos EUA reconheciam o democrata como o futuro chefe de Estado da maior potência militar e econômica do planeta em 10 de novembro, o líder extremista do Brasil só deu aval em 15 de dezembro para que um telegrama de boas-vindas fosse encaminhado a seu homólogo do norte.

Confira a íntegra do curto comunicado enviado pelo Ministério de Relações Exteriores do Brasil ao presidente eleito do Chile, Gabriel Boric:

“O governo brasileiro cumprimenta o senhor Gabriel Boric Font por sua eleição à Presidência da República do Chile e faz votos de êxito no desempenho de seu mandato.

Ao reafirmar a solidez dos laços de amizade e cooperação, o Governo brasileiro assinala a disposição de trabalhar com as autoridades chilenas no fortalecimento das iniciativas bilaterais e regionais em prol dos objetivos de desenvolvimento econômico, de defesa da liberdade e da democracia e de respeito ao Estado de Direito.”