Lula solta nota em homenagem a Moïse Kabagambe; Bolsonaro segue em silêncio

"Nove anos depois de chegar ao Brasil, ao reclamar seu direito de trabalhador, foi covardemente assassinado", escreveu ex-presidente. Congolês foi morto a pauladas em quiosque no Rio de Janeiro

Foto: Montagem/Redes Sociais/Youtube
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O presidente Jair Bolsonaro (PL) segue em silêncio sobre o assassinato bárbaro, a pauladas, do congolês Moïse Mugenyi Kabagambe, que causou grande comoção no país durante esta semana.

Lula (PT), por outro lado, publicou uma mensagem em suas redes sociais nesta quarta-feira (2) lamentando a morte do imigrante, e pedindo justiça e "desculpas" para a família dele.

"Moïse Kabagambe chegou criança ao Brasil, em 2012, e teve sua família acolhida aqui como refugiado. Nove anos depois, ao reclamar seu direito de trabalhador, foi covardemente assassinado. Devemos justiça, amparo, nossos sentimentos e desculpas para a família de Moïse", escreveu o ex-presidente.

https://twitter.com/LulaOficial/status/1488917853403291648?s=20&t=d3HeXATy2hdwqpd8aDKH5Q

Vieram à tona nesta terça-feira (1) as imagens da câmera de segurança do quiosque Tropicália, na Barra da Tijuca, onde o congolês foi assassinado a pauladas após cobrar pagamento de dois dias de serviço no local.

No vídeo, obtido pelo jornal Extra e já sob análise da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), que investiga o caso, é possível ver que três homens espancam Moïse com chutes, socos e pauladas. As imagens mostram ainda que os agressores amarram o congolês pelos pés e mãos com pedaços de fio.

Após algum tempo de espancamento, uma mulher ainda se junta aos homens que agrediam Moïse para tentar reanimá-lo com uma massagem cardíaca. O refugiado, no entanto, morreu em decorrência das agressões.

Mais de oito pessoas já prestaram depoimento à DH (Delegacia de Homicídios da Capital). Um dos ouvidos foi o dono do quiosque, que não teve a identidade revelada. Ele negou envolvimento no crime e disse que estava em casa no momento da agressão que resultou na morte de Moïse.

Após dias, ministério de Damares quebra silêncio

Nesta quarta-feira (2), dias após o assassinato, o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, comandado pela pastora Damares Alves, anunciou que passou a apurar o caso. Até ontem, a ministra não havia proferido nenhuma palavra e parecia estar mais preocupada com a "erotização precoce" de crianças e adolescentes.

Durante evento promovido por seu ministério, foi lançado um programa de “prevenção primária do risco sexual precoce e gravidez de adolescentes”. Trata-se de um projeto baseado no discurso da ministra, que é antiaborto, inclusive o legal, sobre “erotização precoce“, que carrega teor parecido com a inexistente “ideologia de gênero” que Jair Bolsonaro dizia querer combater.

A pastora evangélica estava sendo cobrada nas redes sociais a prestar assistência à família do refugiado assassinado, papel esperado de uma ministra que tem como responsabilidade atuar na defesa dos direitos humanos.