TRAGÉDIA NO NORDESTE

Maceió à beira do abismo: as consequências devastadoras do rompimento de mina da Braskem

Especialistas alertam para possíveis cenários catastróficos enquanto a cidade enfrenta os desdobramentos do colapso eminente

Créditos: Observatório da Mineração
Escrito en BRASIL el

Maceió, a capital alagoana, está diante de uma grave crise provocada pelo rompimento parcial da Mina 18, localizada no bairro do Mutange. O evento ocorreu no início da tarde de domingo (10), desencadeando preocupações sobre o potencial colapso da mina e seus efeitos sociais e ambientais.

Desde 2018, a cidade já enfrenta as consequências da mineração da Braskem, com 60 mil pessoas afetadas e 14 mil residências evacuadas. Cinco bairros sofrem com o afundamento do solo, resultado das atividades de mineração realizadas pela empresa de 1970 até 2019.

A engenheira geóloga Regla Toujaguez La Rosa Massahud, professora da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), aponta que o rompimento observado é apenas o início de um possível colapso da mina. "Primeiro, tem que romper toda a parte superior, que é o que nós vemos nos vídeos divulgados. O fissuramento faz aquelas bolhas surgirem. Agora, nós temos que aguardar. Estamos monitorando essa situação há semanas e não podemos nos precipitar", destaca Regla.

A professora já havia alertado anteriormente sobre a possibilidade de colapso em uma das 35 minas da Braskem em Maceió, em entrevista à BBC News Brasil.

Dilson Ferreira, professor de Arquitetura e Urbanismo da Ufal e coordenador técnico da Diretoria do Movimento Unificado das Vítimas da Braskem (MUVB), identifica três cenários possíveis. O primeiro "Vai gerar sismo, mas pode não chegar a afetar áreas habitadas hoje.", diz Dilson, prevendo que o solo se acomode sem causar grandes danos habitacionais. No entanto, os cenários dois e três são mais alarmantes, envolvendo a formação de um buraco gigantesco (dolinamento) e possíveis reações em cadeia afetando outras minas, com consequências diretas para a população. "Se ela ceder, vai gerar o que a gente chama de dolinamento, que é um buraco gigantesco. Essa mina tem aproximadamente mil metros de profundidade para chegar nela lá embaixo. Teríamos um lago com a água da lagoa ali na região", explica o educador.

"Só que, no terceiro caso, o dolinamento poderia se tornar uma reação em cadeia, gerando diversos buracos nas outras minas. Mais água dentro desses buracos, com aqueles mesmos efeitos nos bairros, como rachaduras. Não se sabe se ficaria no limite dos cinco bairros já afetados ou se poderia se estender à cidade. É fato que teria que realocar mais pessoas." Completa o professor.

Além das implicações sociais, a possível salinização da água representa uma ameaça significativa ao ecossistema local, com impactos nos manguezais e na subsistência das comunidades à beira da lagoa.

Em uma live nas redes sociais, o coordenador da Defesa Civil de Maceió, Abelardo Nobre, mencionou que o risco de rompimento não deve ser ampliado, indicando um cenário de estabilização. A Braskem, por sua vez, afirmou estar colaborando com as autoridades após registrar movimentos atípicos na mina.

A cidade agora aguarda, apreensiva, os desdobramentos dessa crise, enquanto autoridades e especialistas se dedicam a monitorar e avaliar os impactos iminentes.

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