MACHISMO

Para 69% dos brasileiros, mulheres devem ser as principais cuidadoras dos filhos recém-nascidos

Pesquisa Datafolha também mostrou taxas sobre o mesmo tempo de licença do trabalho para homens e mulheres

Renda, idade e escolaridade geram impacto na afirmação.Créditos: Wayne Evans
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Para 69% dos brasileiros, as mulheres devem ser as principais cuidadores dos filhos recém-nascidos, segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta quarta-feira (3) pelo jornal Folha de S. Paulo. 

Essa é a uma realidade que já acontece, chamada de "trabalho invisível" e que gera um enorme desgaste físico e mental para as mulheres. Uma pesquisa feita pelo IBGE e divulgada em janeiro deste ano mostra que elas dedicaram 9,6 horas por semana a mais do que os homens aos afazeres domésticos ou ao cuidado de pessoas.

Esse é um ponto muito discutido por movimentos em prol dos direitos das mulheres, e chegou a ser tema do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em 2023: "Desafios para o enfrentamento da invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher no Brasil".

Após o tema viralizar devido à prova, o governo Lula chegou a preparar políticas públicas voltadas ao '"trabalho invisível". A estimativa é de que o Plano Nacional de Cuidado seja lançado em maio deste ano.

Licença-paternidade

Apesar da taxa divulgada acima, a pesquisa do Datafolha também mostrou que 67% acham que homens e mulheres devem ter o mesmo tempo de licença do trabalho para cuidar do recém-nascido. 

O índice foi de 64% entre os homens e 69% entre as mulheres. Atualmente, elas têm o direito de tirar 120 dias de licença-maternidade, enquanto os homens podem tirar apenas 5 dias corridos. 

Idade e escolaridade

A pesquisa realizou recortes de idade e escolaridade e mostrou que ambos os fatores geram impacto nos índices. 

Enquanto 83% das pessoas com 60 anos ou mais concordam com a afirmação de que as mulheres devem cuidar dos bebês, a taxa é de 54% entre jovens de 16 a 24 anos. Já em relação à licença igual para homens e mulheres, a diferença não foi tão discrepante: 71% dos jovens concordam e 68% dos entrevistados com mais de 60 anos, também

Analisando a escolaridade, 86% dos entrevistados com formação têm até o ensino fundamental concordam que a mulher deve cuidar dos recém-nascidos. Já entre os entrevistados com curso superior, a taxa diminui para 52%

No entanto, 76% das pessoas com ensino fundamental acham que as licenças deveriam ser iguais para homens e mulheres. Para as com curso superior, o índice é de 56%.

Faixa de renda

O número de pessoas que concordam que as mulheres devem cuidar dos recém-nascidos é maior entre as pessoas com faixa de renda mais baixa, até dois salários mínimos: 74%. Já entre quem ganha mais de dez salários mínimos, o índice é de 47%. 

Os índices são parecidos em relação ao tempo de licença do trabalho: 74% entre quem ganha até dois salários mínimos contra 51% entre quem ganha mais de dez. 

Os empresários são o grupo que menos concorda que homens e mulheres deveriam ter o mesmo tempo de licença (50%).