Círio de Nazaré 2025: Cinco curiosidades da procissão que reúne mais de 2 milhões de pessoas

Tradição mistura religiosidade, cultura popular e devoção, atraindo multidões de todo o país

Créditos: Reprodução/Youtube
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Belém recebeu neste domingo (12) cerca de 2,5 milhões de fiéis para a 233ª edição do Círio de Nossa Senhora de Nazaré, a maior procissão católica do Brasil. A imagem da santa saiu da Catedral da Sé por volta das 7h e percorreu 3,6 quilômetros até a Praça Santuário em pouco mais de seis horas. O trajeto passou por pontos icônicos como o Ver-o-Peso e a Praça da República, transformando o centro histórico em um grande mar de fé e emoção.

Durante o percurso, muitos devotos pagaram promessas, enquanto outros disputaram pedaços da corda que conduz a berlinda — um dos principais símbolos da romaria. A Polícia Militar registrou uma tentativa de homicídio entre dois romeiros, rapidamente contida. Mesmo com o episódio, a procissão seguiu em clima de devoção e emoção coletiva, misturando fé, cultura e tradição popular.

A celebração, conduzida por Dom Alberto Taveira, também contou com a presença de artistas como Malu Galli, Tati Machado e Francisco Gil. Considerado patrimônio cultural e espiritual do Brasil, o Círio segue com programação até o dia 27 de outubro, quando o Recírio encerra oficialmente o mês dedicado à padroeira do Pará.

 

 Veja abaixo cinco curiosidades que ajudam a entender por que o evento é considerado Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco.

1. Duas imagens, uma devoção

O Círio é conduzido pela imagem Peregrina de Nossa Senhora de Nazaré, uma réplica feita em 1969 pelo escultor italiano Giacomo Musoni. Já a imagem Original, encontrada no século XVIII por um caboclo nas margens de um igarapé, permanece guardada na Basílica-Santuário e só é exibida ao público em momentos especiais.

2. A corda que move a fé

Com 400 metros de comprimento, a corda que puxa a berlinda da santa é um dos símbolos mais marcantes da festa. O costume surgiu em 1885, quando uma enchente atolou os cavalos que conduziam o andor. Desde então, os fiéis assumiram a tarefa de puxar a imagem, transformando o gesto em símbolo de promessa e conexão espiritual com Nossa Senhora de Nazaré.

3. O manto da santa

A cada ano, um novo manto é criado para vestir a imagem de Nossa Senhora. A peça, bordada com materiais preciosos e carregada de simbolismos, representa a proteção divina sobre os fiéis. Em 2025, o trabalho é assinado pela estilista Letícia Nassar, que confeccionou o manto ao longo de oito meses.

4. O almoço do Círio

Conhecido como o “Natal dos paraenses”, o almoço do Círio é um momento de confraternização entre famílias, amigos e vizinhos após a procissão principal. Reunindo pratos típicos, música e celebração, o ritual mistura fé e convivência, reforçando o sentimento de comunidade que caracteriza o evento desde suas origens.

4. A Festa da Chiquita

Na véspera da grande procissão, a Praça da República se transformou em palco da Festa da Chiquita, uma das mais antigas celebrações LGBTQIA+ do Brasil. O evento mistura irreverência e devoção e é marcado por apresentações de drags, shows e a entrega do Troféu Veado de Ouro. Sob o lema da diversidade, a festa reafirma o caráter inclusivo e plural do Círio.

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