FALÊNCIA

R$ 1,3 bilhão em dívidas: “Rei do Algodão” recusa plano de recuperação e PGE quer falência

PGE entende que houve descumprimento das obrigações fiscais, o que evidencia o fracasso do plano de recuperação e a inviabilidade financeira do grupo

Empresário José Pupin.Créditos: Reprodução/YouTube
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A Procuradoria-Geral do Estado de Mato Grosso (PGE) entrou com pedido na Justiça para converter em falência a recuperação judicial do grupo José Pupin Agropecuária.

Pertencente ao empresário José Pupin, conhecido como “Rei do Algodão”, o conglomerado acumula dívidas que ultrapassam R$ 1,3 bilhão e está sob recuperação desde 2017.

No requerimento protocolado na 1ª Vara de Campo Verde, o estado sustenta que a empresa não aderiu ao Refis, não apresentou proposta de transação tributária e permanece inadimplente com o fisco.

Para a PGE, o descumprimento das obrigações fiscais evidencia o fracasso do plano de recuperação e a inviabilidade financeira do grupo. O órgão também pediu a oitiva do Ministério Público e a preservação dos créditos tributários.

Pressão de credores e falhas de gestão

O movimento do governo se soma a pedidos recentes de credores. No fim de outubro, o empresário Ricardo de Freitas Neto solicitou a conversão da recuperação em falência, afirmando que o grupo descumpriu um aditivo homologado em 2024.

O acordo previa o pagamento, em parcela única, de até R$ 10 mil a credores com garantia real — obrigação que não teria sido cumprida.

Também em outubro, a administradora judicial registrou que o grupo não vem enviando a documentação básica exigida pelo juízo. A Agrimaque Peças Agrícolas apresentou pedido próprio de falência e apontou que Pupin e sua esposa, Vera Lúcia, declararam incapacidade civil e cognitiva para gerir os negócios, o que, segundo a credora, tornaria inviável a continuidade da recuperação.

A defesa de Pupin afirma que a família foi vítima de fraude ao transferir a gestão do patrimônio para o grupo Midas/Fource em um período de fragilidade de saúde do casal.

Segundo os advogados, a estrutura teria assumido o controle financeiro e desviado recursos sob o pretexto de reestruturação. A defesa pede a suspensão dos contratos e a retomada do controle das contas.

Em nota, a Fource Consultoria negou as acusações, classificou-as como “infundadas” e afirmou que foram feitas "com o claro intuito de criar embaraço jurídico e, consequentemente, um calote em todos os credores da recuperação judicial que se arrasta há 10 anos". A empresa diz já ter adotado medidas judiciais para “restabelecer a verdade dos fatos”.

Em nota, o Grupo Pupin afirma que "requereu ao Juízo a suspensão do contrato que passou a gestão de seu patrimônio para terceiros, e busca retomar o acesso às suas contas e bens" e "reafirma que, devidamente administrado, o negócio é plenamente capaz de garantir o pagamento de todos os credores, incluindo o fisco estadual e federal, e garante que nenhum credor será lesado”, segundo o Globo Rural.

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