NÃO MORREU

VÍDEO: Jovem apelidada de "Japinha do CV" reaparece para dizer que está viva

Maria Eduarda, também conhecida como "Penélope", afirma que apelido é invenção da mídia; ela havia sido dada como morta após a operação que matou 121 no Rio de Janeiro

Maria Eduarda, equivocadamente dada como morta e apelidada de "Japinha do CV".Créditos: Reprodução
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A jovem Maria Eduarda, conhecida nas redes sociais como "Penélope", reapareceu nesta terça-feira (111) para desmentir os boatos de que teria morrido durante a megaoperação policial que deixou 121 mortos nos complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro, deflagrada em 28 de outubro. Em vídeo publicado em suas redes sociais, ela afirma estar viva e denuncia que a história sobre sua suposta morte foi criada pela internet e amplificada pela mídia.

“Oi, meu nome é Maria Eduarda. (...) Boatos que eu tinha morrido. Então, eu 'tô' viva. Isso tudo foi o que a internet criou”, disse.

Maria Eduarda também contestou o apelido que circulou em redes sociais e em grupos de policiais — “Japinha do CV” — e criticou a maneira como sua imagem foi usada para alimentar uma narrativa de violência e criminalização.

“Essa tal de Japinha que estão falando aí... não sou eu. Essa menina não existe. Japinha não existe. Foi uma coisa que a mídia criou”, afirmou.

“Tenho minha vida, minha história. Tem coisas da minha vida que eu prefiro deixar no passado, e que eu não levo mais pra minha vida hoje em dia.”

A jovem conta que ficou surpresa ao descobrir que seu nome estava sendo vinculado à morte de uma suposta traficante. “Isso tudo que aconteceu foi a internet que criou, porque em nenhum momento eu ou minha família ou ninguém próximo a mim veio falar nada na internet que eu tinha morrido. Então a internet já vinculou fotos, imagens de uma vida minha passada na qual eu não levo mais”, declarou.

Assista ao vídeo:

Massacre e desinformação

A Polícia Civil do Rio de Janeiro confirmou, após semanas de especulação, que a informação sobre a morte da "Japinha do CV" é falsa: o corpo exibido em fotos divulgadas nas redes sociais não era de Maria Eduarda, mas de Ricardo Aquino dos Santos, de 22 anos, natural da Bahia, com dois mandados de prisão em aberto. Segundo a corporação, nenhuma mulher morreu durante a operação.

Apesar das negativas oficiais, portais de notícias, páginas em redes sociais e perfis de policiais chegaram a noticiar a morte da chamada “Japinha do CV”, reforçando uma narrativa sem checagem prévia. Em poucas horas, a imagem de Maria Eduarda foi transformada em símbolo de um suposto “combate ao crime”, antes mesmo de qualquer confirmação.

A cobertura apressada e sensacionalista em torno do caso revelou mais uma vez a fragilidade do jornalismo policial no Brasil, que frequentemente reproduz informações de fontes oficiais sem verificação adequada, especialmente em operações que resultam em massacres. No episódio da Penha e do Alemão, a polícia registrou 121 mortos, mas até hoje não apresentou uma lista completa de identificações nem esclareceu as circunstâncias de cada morte.

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