A Polícia Federal (PF) concluiu nesta quarta-feira (12) o inquérito que investiga o ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, o TH Joias, apontado como articulador de um esquema de tráfico de armas, lavagem de dinheiro e ligação direta com facções criminosas do Rio de Janeiro. O relatório, encaminhado ao Tribunal Regional Federal da 2ª Região, indiciou 18 pessoas, incluindo policiais da ativa, ex-agentes públicos e assessores parlamentares.
O caso ganha contornos políticos explosivos por envolver um dos aliados mais próximos do governador Cláudio Castro (PL). Fotografado diversas vezes ao lado do governador, TH Joias integrou sua base de apoio na Assembleia Legislativa e foi um dos rostos jovens promovidos pelo MDB fluminense antes de migrar para o grupo político do Palácio Guanabara.
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Ligações com o crime e o poder
Preso desde setembro, TH Joias é acusado de integrar organização criminosa armada, contrabandear armas e joias, intermediar negócios entre traficantes do Comando Vermelho (CV) e do Terceiro Comando Puro (TCP) e de lavar dinheiro por meio de empresas de fachada e operações em dólar. Entre os indiciados estão um policial federal, três PMs da ativa, um ex-PM, um ex-servidor do Degase e um ex-militar do Exército, o que evidencia a infiltração do crime organizado nas estruturas do Estado.
Segundo a PF, o ex-deputado mantinha negócios com Luciano Martiniano da Silva, o Pezão (CV), e Wallace de Brito Trindade, o Lacoste (TCP). O grupo teria fornecido armas ao Complexo do Alemão e vendido equipamentos anti-drone para o tráfico da Serrinha, em Madureira. A investigação aponta também movimentações financeiras suspeitas no exterior e tentativas de ocultação de provas logo após a deflagração da Operação Zargun, no dia 3 de setembro.
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Imagens obtidas pelos investigadores mostram intensa movimentação na mansão de TH, na Barra da Tijuca, horas após o início da operação. Pessoas próximas ao ex-deputado retiraram objetos e um cofre da residência, o que a PF classificou como tentativa de ocultar bens e destruir evidências.
A prisão de TH Joias abalou o núcleo político de Cláudio Castro. Em posts recentes, o ministro Guilherme Boulos (PSOL-SP) ironizou o governador, afirmando que Castro estaria “angustiado com o avanço das investigações depois da prisão do seu parceiro TH Joias”. A declaração veio em meio à escalada de críticas à gestão estadual pela operação policial que deixou 121 mortos nos complexos do Alemão e da Penha.
O caso ainda ganhou novos contornos após o ex-governador Anthony Garotinho afirmar que TH Joias, sentindo-se “abandonado”, estaria ameaçando delatar autoridades, entre elas o próprio Cláudio Castro e o presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar. Segundo Garotinho, o ex-deputado teria insinuado que a chacina nas comunidades teria sido uma “queima de arquivo” para silenciar envolvidos no esquema.
O MDB anunciou a expulsão de TH Joias após sua prisão, alegando que ele “não seguia mais a orientação partidária”.