Um vídeo que circula nas redes sociais, feito com um drone, revela a dimensão da destruição causada pela explosão de um depósito clandestino de fogos de artifício no Tatuapé, zona leste de São Paulo. A cena, gravada após a tragédia da noite de quinta-feira (13), mostra um cenário de guerra no epicentro da explosão.
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Nas imagens aéreas, é possível ver que o imóvel onde funcionava o depósito de fogos foi completamente reduzido a escombros, com o telhado inexistente, paredes derrubadas e destroços espalhados por todo o terreno. As casas vizinhas também apresentam danos severos.
Assista ao vídeo:
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Explosão em depósito clandestino de fogos no Tatuapé
A explosão ocorreu por volta das 19h50 de quinta-feira (13), em um imóvel da Rua Francisco Bueno, no Tatuapé, bairro densamente povoado da zona leste. De acordo com a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) e a Defesa Civil, a casa era usada de forma irregular como depósito de fogos de artifício.
O estrondo foi ouvido a quilômetros de distância e provocou um incêndio que destruiu completamente o imóvel onde estavam os fogos. A força do impacto derrubou estruturas metálicas, danificou carros estacionados e quebrou vidros de prédios e casas nos arredores.
O caso já havia sido relatado pela Fórum em reportagem sobre a explosão em depósito ilegal de fogos que deixou um morto, dez feridos e ao menos vinte e três imóveis interditados. As novas imagens aéreas ampliam o foco da tragédia ao mostrar, de um ângulo superior, o que esses números significam na prática.
Baloeiro é investigado por armazenar fogos em casa
A principal linha de investigação da Polícia Civil aponta que o imóvel era ocupado por Adir de Oliveira Mariano, de 46 anos, identificado como baloeiro e listado no boletim de ocorrência como investigado. Ele foi identificado pela Secretaria da Segurança Pública como a vítima fatal, após a localização de um corpo carbonizado no local e o fato de familiares não conseguirem contato com Adir desde a noite da explosão.
Relatos de vizinhos e informações da própria SSP indicam que o imóvel funcionava como um depósito clandestino de fogos de artifício. Adir já havia respondido na Justiça por participação em um grupo de baloeiros acusado de soltar balões capazes de provocar incêndios em áreas urbanas, em processo no interior de São Paulo do qual acabou absolvido anos depois.
O impacto foi tão forte que, de acordo com a Defesa Civil, ao menos 23 residências tiveram algum tipo de comprometimento estrutural. Em várias delas, técnicos avaliam se haverá necessidade de demolição parcial antes de qualquer tentativa de reconstrução.
A gestão Ricardo Nunes (MDB), reeleita com apoio da direita paulistana, terá de explicar como um depósito clandestino de fogos de artifício conseguiu funcionar em plena zona leste, sem fiscalização eficaz, até explodir e transformar uma rua inteira em cenário de escombros. Para as famílias, a discussão é menos abstrata: elas querem saber quando poderão voltar a ter uma casa e se alguém, além das vítimas, será responsabilizado.
A Polícia Civil instaurou inquérito para apurar o caso como explosão, crime ambiental e lesão corporal. A perícia trabalha com a hipótese de que os fogos armazenados na casa tenham sido o estopim da tragédia, mas as causas exatas que acionaram o material explosivo ainda estão em investigação.
O corpo encontrado entre os escombros foi levado ao Instituto Médico-Legal (IML), que fará exames para confirmar oficialmente a identidade da vítima. A partir da confirmação, a investigação deve avançar sobre a responsabilidade criminal pelo armazenamento dos fogos e sobre a eventual responsabilização civil de proprietários, locatários e fornecedores.