CENSURA?

Chavoso da USP tem conta com mais de 1 milhão de seguidores desativada

Sociólogo e ativista é alvo de ataques da extrema direita por conteúdos críticos; rede social não apresentou motivo

Chavoso da USP durante depoimento da CPI dos Pancadões.Créditos: Douglas Ferreira/Rede Câmera SP
Escrito en BRASIL el

O sociólogo e militante de esquerda Thiago Torres, o "Chavoso da USP", teve sua conta do Instagram, com mais de 1 milhão de seguidores, desativada neste domingo (16). Ele afirmou que não recebeu nenhum aviso prévio nem explicações sobre por que seu perfil foi tornado inativo. 

Em uma conta reserva, ele declarou que o ocorrido era muito "frustrante". "Mais uma conta excluída pelo Instagram, do nada, sem mais nem menos. É muito frustrante. Anos de trabalho para chegar a um milhão de seguidores, pra tudo ser descartado assim por essa rede". 

A conta de Chavoso no Instagram era dedicada à produção de conteúdo sobre racismo, educação para jovens negros e periféricos e críticas sociais ao capitalismo e à extrema direita. O Instagram é controlado pela empresa Meta, que é acusada de programar seus algoritmos para que favoreçam conteúdos de extrema direita, como mostram pesquisas recentes sobre o funcionamento dessa ferramenta nas redes sociais. 

Seguidores de Chavoso e parlamentares prestaram solidariedade e criticaram a ação autoritária da Meta. "É escandaloso o que está acontecendo! Sem qualquer justificativa, a Meta derrubou o acesso da conta principal do @chavosodausp, com mais de 1 milhão de seguidores. Um ataque direto à liberdade de expressão e ao trabalho de quem denuncia injustiças no Brasil", afirmou a deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP). 

A deputada Erika Hilton, também do PSOL em São Paulo, compartilhou o ocorrido e classificou como "absurdo" a suspensão da conta de Chavoso. 

Ataques a Chavoso da USP

Desde que começou a produzir conteúdos para as redes sociais, Chavoso é alvo de ataques por seus conteúdos críticos, educacionais e políticos, mas viralizou nos últimos meses ao ser convocado para prestar esclarecimentos na CPI dos Pancadões, na Câmara Municipal de São Paulo, em agosto, a pedido do vereador Rubinho Nunes (União), que tentou criminalizar o funk e a juventude periférica durante as sessões. Em diversos momentos, Nunes provocou Torres, que não se intimidou e rebateu o vereador, que chegou a dar voz de prisão contra o sociólogo. Os vídeos viralizaram na internet com as respostas críticas de Chavoso. 

Em maio deste ano, ele também foi condenado a 10 meses e 15 dias de prisão, em regime aberto, por difamação e injúria contra o ex-prefeito de Guarulhos, Gustavo Henric Costa (PSD). Ele fez críticas sobre o fechamento da empresa Proguaru, onde sua mãe era faxineira. Em dezembro de 2021, ela e outros 5 mil trabalhadores foram demitidos no mandato do ex-prefeito. 

A pena de Chavoso foi convertida em prestação de serviços comunitários e o pagamento de uma indenização de R$ 15 mil, além de uma multa de R$ 3 mil e honorários de advogados. Durante o processo, Chavoso teve seu pedido de justiça gratuita negado pela juíza Patrícia Padilha. “Pois bem, indefiro o pedido de concessão de justiça gratuita, eis que não vislumbro a presença dos requisitos autorizadores. A declaração de pobreza juntada, gera apenas presunção relativa de hipossuficiência", afirmou a magistrada. 

Nas redes sociais, Chavoso disse que o caso era uma “clara tentativa de censura e perseguição política de um sistema burguês que massacra os trabalhadores”.

Siga o perfil da Revista Fórum e da jornalista Júlia Motta no Bluesky.

Reporte Error
Comunicar erro Encontrou um erro na matéria? Ajude-nos a melhorar