Com depósitos sedimentares que datam do Permiano, há cerca de 260 milhões de anos, quando áreas amplas do sudeste brasileiro estavam imersas em ambientes marinhos ou pantanosos, a Pedreira do Bongue (em Piracicaba, no interior de São Paulo) é um museu geológico e paleontológico.
Pesquisadores locais caracterizam a pedreira como sítio, apesar de não ser reconhecido formalmente por órgãos de patrimônio em nível municipal, estadual ou federal.
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Os depósitos de rochas sedimentares concentram também fósseis marinhos do Permiano Superior, como moluscos, peixes e estruturas carbonáticas, além de material paleobotânico da flora antiga da região.
A Pedreira do Bongue está situada na região da Formação Corumbataí, na Bacia do Paraná, e constitui um afloramento dessa formação ampla na porção centro-leste da América do Sul.
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"A pedreira do Bongue é um testemunho geológico da formação da região de Piracicaba que sofreu, no decorrer do tempo, processos erosivos decorrentes da extração de rocha e da abertura de avenidas, que a desconectaram das águas do rio que outras formações rochosas rio abaixo, como o Paredão Vermelho, ainda possuem", explica o documento Piracicaba em Traços e Cores Atuais (2015), do Instituto de Pesquisas e Planejamento de Piracicaba.
Créditos: Piracicaba em Traços e Cores Atuais (2015) - reprodução
Um artigo publicado no periódico Journal of South American Earth Sciences, conduzido por Tatiane M. V. Tavares e Rosemarie Rohn, pesquisadoras da UNESP, narra a primeira descrição de uma descoberta de pecopterídeos petrificados, espécies de samambaias fósseis, na região de Piracicaba.
Os achados permineralizados correspondem a evidências do passado marinho da bacia, formada por argilitos de coloração avermelhada e arenitos finos, típicos da Formação Corumbataí. Outros trabalhos sobre a Formação registram fragmentos de peixes primitivos, como escamas e dentes dispersos em vários níveis areníticos.
A pedreira, que fica junto à Avenida Jaime Pereira, na região norte de Piracicaba, é visível da via e conhecida pelos deslizamentos de rochas, especialmente nas épocas chuvosas.
Na área superior da pedreira, integrada à cidade, há construções de loteamentos adquiridos há décadas, que dão para uma vista do Rio Piracicaba. Embora seja reconhecida no meio acadêmico pelas amplas evidências paleontológicas, não conta com proteção patrimonial de instituições como o IPHAN ou o Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Piracicaba (Codepac), responsável por tombamentos no âmbito municipal.
O local, assim como outras regiões de formações sedimentares do sudeste brasileiro, é uma visão do passado geológico do território brasileiro.