TRÁFICO DE DROGAS

Cocaína negra, mais cara e difícil de detectar, é apreendida em mansão da Ponta Negra, em Manaus-AM

Apreensão revela a presença de variantes mais caras da droga e expõe a complexidade das rotas amazônicas

Cocaína em versões modificadas, como a negra, reforça o avanço de métodos usados para camuflar entorpecentes no país.Créditos: Pexels
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A apreensão de 34kg de cocaína negra e 16 kg de cocaína comum em uma mansão na Ponta Negra, zona oeste de Manaus, em outubro, revelou mais uma vez o nível de sofisticação das técnicas usadas por grupos envolvidos no tráfico internacional. A operação conduzida pelo Departamento de Investigação sobre Narcóticos (Denarc) da Polícia Civil avaliou o carregamento em R$ 19,5 milhões, valor que reflete tanto a quantidade quanto a complexidade do tipo de droga encontrado. As informação são do site da "Secretaria de Segurança Pública do Amazonas".

O que é a cocaína negra e por que ela preocupa

A chamada cocaína negra é uma versão do entorpecente que passa por um tratamento químico para mudar de aspecto. Misturada a materiais como carvão e outros compostos, ela ganha cor escura e uma textura diferente, o que dificulta que cães farejadores ou testes rápidos a identifiquem.

A ideia é fazer com que a droga circule por aeroportos e barreiras policiais sem levantar suspeitas, já que se parece com um produto comum. Só no país de destino ela passa por um novo processo que devolve a aparência original da cocaína.

Por envolver mais etapas e ser mais difícil de detectar, esse tipo de droga é mais valorizado. Segundo o delegado-geral da PC-AM, Bruno Fraga, cada quilo pode chegar a 100 mil dólares no mercado internacional, um valor muito acima do que se observa na cocaína convencional.

Investigação começou com denúncia sobre o imóvel

A operação que resultou na apreensão começou cerca de 30 dias antes, após uma denúncia de que a casa funcionava como ponto de guarda e distribuição de drogas. Com base nas informações, o Denarc solicitou o mandado de busca e apreensão e realizou a diligência no dia 17 de outubro. No imóvel, a equipe encontrou um homem e uma mulher, de 51 e 45 anos, responsáveis por armazenar o material.

Inicialmente, os policiais localizaram os 16 kg de cocaína comum, avaliados em aproximadamente R$ 1,2 milhão, além de cadernos com anotações que indicavam a existência de mais drogas escondidas. A partir disso, a investigação retornou à residência e encontrou os 34 kg de cocaína negra camuflados em fundos falsos de quadros e cadeiras, móveis preparados exclusivamente para envio internacional.

O casal preso na mansão foi autuado em flagrante por tráfico de drogas e associação para o tráfico, e encaminhado para audiência de custódia. A Polícia Civil afirma que a investigação continua para identificar outros possíveis envolvidos na rota e no processo de preparação da cocaína negra.

Rota internacional e logística

De acordo com as investigações, o carregamento veio do Peru e tinha como destino a Austrália. A estimativa da Polícia Civil é que o casal receberia cerca de R$ 3 milhões pelo transporte e armazenamento.

Fraga afirmou que a operação frustrou o envio da carga ao exterior e permitiu entender melhor o esquema, que envolve tanto a adulteração química da droga quanto a adaptação de móveis com compartimentos ocultos. Para o delegado, o caso exemplifica como grupos criminosos têm recorrido a métodos cada vez mais elaborados para tentar escapar da fiscalização.

Semelhante à rapadura e colorau

Apesar de rara, a cocaína negra não é inédita na região. Em 2020, uma operação integrada da Receita Federal, Polícia Civil, Polícia Militar e Ministério da Justiça apreendeu 630 kg de drogas no rio Solimões, entre elas 40 kg de cocaína negra escondidos no casco de uma embarcação que vinha da área da tríplice fronteira. Na ocasião, a droga foi localizada com auxílio do cão farejador Odin e tinha origem colombiana e peruana. 

Além disso, em 2012, o Laboratório do Centro de Pesquisas Científicas (CPC) realizou a perícia de amostras de cocaína em diferentes colorações. Nessa ocasião, a droga foi chamada de "cocaína colorida" e foi identificada nas tonalidades vermelho barrento, marrom, roxo e cinza. 

O objetivo era dificultar a identificação do entorpecente, fazendo com que se assemelhasse a produtos comuns, como rapadura e colorau. 

 

 

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