Preso na madrugada desta terça-feira (18) ao tentar embarcar para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, vinha montando nos bastidores uma estrutura de influência na imprensa brasileira. A informação é do portal noticioso Brasil 247. Por meio de dois aliados próximos — Flávio Carneiro e Antônio Freixo, o “mineiro” —, Vorcaro adquiriu participações em diversos veículos de comunicação que, na prática, funcionariam como escudo para seus interesses no mundo político e financeiro.
Entre os ativos já sob influência do grupo estão o Brazil Journal, publicação especializada no mercado de capitais e considerada referência na Faria Lima; as operações digitais das revistas IstoÉ e IstoÉ Dinheiro; o portal de política PlatôBR, que conta com colunistas como Guilherme Amado; e o site de fofocas comandado pelo jornalista Léo Dias. Além disso, Vorcaro negociava a entrada no controle do Correio Braziliense e do Estado de Minas, jornais pertencentes aos Diários Associados, utilizando precatórios como moeda para quitar débitos fiscais da empresa.
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A estratégia, segundo fontes que acompanham o movimento, era ampliar o alcance político do banqueiro em Brasília. Vorcaro mantém relações próximas com lideranças do centrão, entre elas o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e o ex-presidente Michel Temer. A influência midiática seria usada, sobretudo, para tentar desbloquear a venda do Banco Master ao BRB — operação barrada pelo Banco Central — e para pressionar por mudanças regulatórias favoráveis. Um exemplo foi a emenda apresentada por Ciro Nogueira que elevava de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o teto de garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para CDBs, proposta que acabou não prosperando no Congresso.
A fortuna de Vorcaro foi erguida exatamente sobre a oferta agressiva de certificados de depósito bancário que remuneravam até 140% do CDI, dentro do limite então coberto pelo FGC, o que atraiu milhares de investidores pessoa física.
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Na segunda-feira, o banco anunciou que seria vendido à financeira Fictor e a um grupo de investidores dos Emirados Árabes Unidos. Horas depois, porém, o Banco Central determinou a liquidação extrajudicial do Master e a Polícia Federal prendeu seu controlador. Até as 10h desta terça-feira, nenhum dos veículos ligados ao grupo — Brazil Journal, PlatôBR, IstoÉ digital ou o portal de Léo Dias — havia publicado uma linha sobre a liquidação do banco ou a prisão de Daniel Vorcaro.
Procurado pelo Brasil 247, Geraldo Samor, fundador do Brazil Journal, confirmou ser sócio de Flávio Carneiro, mas negou sociedade direta com Daniel Vorcaro. Afirmou que essa estrutura garante independência editorial na cobertura do mercado financeiro. No meio financeiro, porém, Flávio Carneiro é amplamente reconhecido como operador de confiança de Vorcaro.