SÃO PAULO

R$ 7 bilhões e 5 mil empregos: o novo investimento de uma gigante do setor alimentício em São Paulo

Ao todo, a transnacional suíça do setor alimentício, de que o Brasil é o 3° maior mercado, planeja investimentos de até R$ 7 bilhões nas suas unidades fabris até 2028

Sede da Nestlé.Créditos: Divulgação
Escrito en BRASIL el

A Nestlé, transnacional suíça do setor de alimentos e bebidas, que iniciou suas atividades no Brasil em 1921, anunciou uma rodada de investimentos de R$ 1 bilhão, a ser aplicada entre 2025 e 2028, para "modernizar e ampliar sua fábrica de cafés solúveis" no município de Araras (SP).

O anúncio foi feito durante uma visita da prefeitura à fábrica, no começo de setembro. 

A companhia tem 16 fábricas no Brasil, distribuídas entre os estados de SP, MA, BA, PE, GO, RS e ES. A unidade de Araras, que produz café solúvel, foi a primeira instalada no país, em 1921, para produzir o Leite Moça. Hoje, produz café solúvel, dry mix para cápsulas de café (Dolce Gusto e UHT) e achocolatados em pó, além de atuar na linha Nestlé Health & Science.

 A fábrica exporta para 65 países, e o investimento projetado é o maior feito em uma unidade fabril brasileira no período anunciado.

Ao todo, a Nestlé planeja investimentos de até R$ 7 bilhões para modernização industrial de suas fábricas brasileiras no período, com o objetivo de aumentar sua capacidade de produção em até 10% e instalar uma nova linha de extração de café solúvel com uso de inteligência artificial aplicada ao controle avançado do processo (APC).

Segundo a prefeitura de Araras, o valor vai se unir ao investimento de R$ 500 milhões já anunciados no primeiro semestre de 2025 para o setor de produção de cafés da Nestlé no mercado brasileiro.

Os investimentos em produtividade focam na aplicação de conceitos da Indústria 4.0, afirma a Nestlé, como Internet das Coisas (IoT), aprendizado de máquina, computação na nuvem, robótica autônoma e realidade aumentada/virtual, e "contempla uma nova linha de extração de café solúvel equipada com tecnologias de ponta".

Desde 2019, as operações no Brasil, que empregam mais de 30 mil colaboradores, tiveram um aumento de 16% na produtividade. O novo investimento na fábrica de Araras, que tem 1.062 colaboradores, deve manter cerca de três a cinco mil empregos indiretos, segundo estimativas projetadas.

O Brasil é o terceiro maior mercado mundial da Nestlé, que cresceu 2,2% globalmente em 2024. A estratégia no Brasil é ganhar mais participação de mercado e aumentar o portfólio da empresa, que está numa fase de crescimento mais "limpo", apostando em agricultura regenerativa nas cadeias produtivas de café e cacau. 

Em 2025, de acordo com levantamento do jornal alemão Deutsche Welle, organizações de defesa dos direitos humanos lideradas pela Coffee Watch, ONG que monitora as cadeias produtivas de café, apresentaram queixas formais às autoridades alemãs e norte-americanas alegando que a Nestlé e a AmRest, operadora da Starbucks alemã, adquiriram grãos oriundos de propriedades brasileiras denunciadas por trabalho análogo à escravidão.

As ONGs relatam reclamações relativas a trabalho infantil, tráfico de pessoas e exploração do trabalho na cadeia de suprimentos que abastece a Nestlé e a Starbucks, e pediram a responsabilização das empresas e investigações.

As cooperativas brasileiras mencionadas nas ações são a Cooxupé (Cooperativa de Guaxupé, MG) e a Cooabriel (São Gabriel da Palha, ES), apontadas como elos de comercialização com os fornecedores em violações dos direitos trabalhistas. Em nota, as cooperativas negam práticas ilegais e afirmam ter procedimentos de controle.

A Nestlé disse investigar o caso, mas afirmou, em comunicado oficial, não ter ligação direta com as fazendas e cooperativas citadas. Disse também ter encerrado as relações de fornecimento “onde não encontrou conformidade”, de acordo com procedimentos de due diligence.

Reporte Error
Comunicar erro Encontrou um erro na matéria? Ajude-nos a melhorar