De acordo com um estudo divulgado em 2025 pelo Ipea, com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil registrou em 2024 os melhores indicadores de renda, desigualdade e pobreza desde 1995. A renda domiciliar per capita média cresceu cerca de 70% no período, enquanto o coeficiente de Gini — indicador que mede a desigualdade de renda — apresentou queda de quase 18%. A extrema pobreza, que atingia aproximadamente 25% da população em meados dos anos 1990, caiu para menos de 5% em 2024. Esse conjunto de resultados indica que o país alcançou seu melhor patamar de bem-estar em três décadas.
O coeficiente de Gini, utilizado mundialmente, varia entre 0 e 1: quanto mais próximo de 1, maior a desigualdade; quanto mais próximo de 0, mais igualitária é a distribuição de renda. A redução observada no Brasil ao longo de trinta anos sugere uma melhora consistente na forma como a renda é distribuída entre diferentes grupos sociais.
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O estudo destaca, porém, que o avanço não ocorreu de maneira contínua. Houve períodos de crescimento expressivo entre 2003 e 2014, seguidos por retrações decorrentes de crises econômicas e dos efeitos da pandemia. A partir de 2021, a trajetória voltou a se fortalecer: a renda média cresceu mais de 25% ao ano, em termos reais, durante três anos consecutivos, algo inédito desde o início da série histórica. Esse crescimento mais recente está diretamente relacionado ao dinamismo do mercado de trabalho e à ampliação das políticas de transferência de renda, responsáveis, juntas, por quase metade da redução da desigualdade e por mais de 60% da queda da extrema pobreza entre 2021 e 2024.
Segundo os pesquisadores, a conjunção desses fatores — emprego mais robusto, aumento real da renda e políticas sociais ampliadas — explica por que 2024 se tornou o ano de maior bem-estar já registrado no país. Embora o estudo ressalte que persistem desafios estruturais, como desigualdades regionais e disparidades raciais e de gênero, os dados mostram que a combinação entre crescimento econômico inclusivo e fortalecimento das redes de proteção social produz impactos profundos e consistentes na qualidade de vida dos brasileiros.