O Tribunal Regional Federal da 1ª Região determinou a soltura de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e de mais quatro executivos vinculados à instituição financeira, que foi liquidada pelo Banco Central.
Vorcaro e os outros quatro executivos terão de usar tornozeleira eletrônica e cumprir uma série de medidas restritivas enquanto durarem as investigações sobre o suposto esquema de fraude em operações bancárias reveladas pela Operação Compliance Zero.
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Além de Daniel Vorcaro, foram soltos: Augusto Ferreira Lima (ex-CEO e sócio do Master); Luiz Antônio Bull (diretor de Riscos, Compliance, RH, Operações e Tecnologia do Master); Alberto Feliz de Oliveira Neto (superintendente executivo de Tesouraria do Master); e Ângelo Antônio Ribeiro da Silva (sócio do Master).
Foram estabelecidas as seguintes medidas restritivas: uso de tornozeleira eletrônica; comparecimento periódico à Justiça; proibição de manter contato entre si e com qualquer funcionário do Banco Master; e proibição de deixar o município onde residem sem autorização judicial.
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Polícia Federal prende banqueiro Daniel Vorcaro, o lobo da Faria Lima
O banqueiro Daniel Vorcaro, que é conhecido como "o lobo da Faria Lima", foi preso pela Polícia Federal (PF) na noite de segunda-feira (17) no aeroporto de Guarulhos, quando tentava embarcar em um jatinho rumo a Dubai, nos Emirados Árabes. A prisão foi efetuado a partir do sistema de alerta da Polícia Federal, segundo o diretor da instituição Andrei Passos, que monitora os passos de investigados que possam fugir do país.
Vorcaro é dono do Banco Master, que tentou uma manobra com o governador do Distrito Federal, o bolsonarista Ibaneis Rocha (MDB), para que a instituição, que tem diversos problemas, fosse incorporada ao estatal Banco de Brasília (BRB).
A prisão acontece no mesmo dia em que a Fictor Holding Financeira, uma instituição também problemática, anunciar a compra do Master. Também nesta terça-feira, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master o que, em tese, barraria as negociações com o grupo Fictor.
Agentes que atuam na operação Compliance Zero ainda cumprem outros quatro mandados de prisão de envolvidos em um suposto esquema criminoso de emissão de títulos de crédito falsos por instituições que integram o Sistema Financeiro Nacional.
"As investigações tiveram início em 2024, após requisição do Ministério Público Federal, para investigar a possível fabricação de carteiras de crédito insubsistentes por uma instituição financeira. Tais títulos teriam sido vendidos a outro banco e, após fiscalização do Banco Central, substituídos por outros ativos sem avaliação técnica adequada. Estão sendo investigados os crimes de gestão fraudulenta, gestão temerária, organização criminosa, entre outros", diz a PF em nota.
No total, estão sendo cumpridos cinco mandados de prisão preventiva, dois mandados de prisão temporária e 25 mandados de busca e apreensão, além de medidas cautelares diversas da prisão, nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Bahia e no Distrito Federal.
Liquidação judicial
A liquidação do Master pelo Banco Central, assinada por Gabriel Galípolo, acontece justamente em meio às investigações de que o banco emitia papéis garantidos pelo FGC e pagava taxas muito acima do mercado.
As negociatas fizeram com que o BC vetasse a compra do Master pelo Banco de Brasília.
A liquidação extrajudicial é um regime de resolução à disposição do BC para lidar com problemas graves em instituições financeiras, a fim de manter a estabilidade do sistema.
A medida interrompe o funcionamento da instituição, retirando-a do Sistema Financeiro Nacional (SFN). Isso significa que o banco fecha, deixa de funcionar.
Esse regime é adotado quando a situação de insolvência - ou seja, de endividamento - é irrecuperável ou quando forem cometidas graves infrações às normas que regulam sua atividade.
Elo com Ibaneis e o bolsonarismo
Mineiro de Belo Horizonte, o "lobo da Faria Lima" tornou-se conhecido pela ostentação e por propagandear seus feitos, como a compra de 26,9% do Clube Atlético Mineiro como investidor da Sociedade Anônima de Futebol (SAF) do Galo - ficando atrás apenas de Rafael e Rubens Menin, donos da construtora MRV, com uma fatia de 55,7%.
Vorcaro também comprou a mansão, de 3,5 mil metros quadrados, considerada a mais cara já negociada em Orlando, na Flórida, por US$ 37 milhões. Em outras ostentações, o banqueiro comprou uma outra mansão em Trancoso, no litoral baiano, por R$ 280 milhões, além de um jato no valor de R$ 80 milhões.
Em 2023, o dono do banco Master, em entrevista ao Valor Econômico, ainda se gabou de ter comprado o Fasano Itaim na “pessoa física” e de gastar R$ 15 milhões na festa de debutante de sua filha realizada no Condomínio Miguelão, na cidade de Nova Lima (MG). Só o bolo, feito em São Paulo e entregue de avião, foi estimado em R$ 25 mil.
Vorcaro tem como sócio no Banco Master o Baiano Augusto Lima que tem na atual esposa um elo direto com Ibaneis Rocha e o bolsonarismo.
Em janeiro de 2024, Lima se casou com Flávia Arruda (PL-DF), que foi ministra-chefe da Secretaria de Governo do Brasil na negociata de Jair Bolsonaro (PL) com o grupo de Ibaneis e do ex-governador do DF, José Roberto Arruda, em 2021. Após cumprir pena por corrupção, Arruda atualmente comanda o PL no Distrito Federal, dividindo a atribuição com a Damares Alves.
Antes de se tornar deputada federal, em 2019, e ser alçada ao ministério de Bolsonaro, Flávia foi primeira-dama do GDF durante o governo Arruda, de quem herdou o nome político.
O casal se separou em novembro de 2022, pouco mais de um ano antes de Flávia se casar com o sócio de Vorcaro.
Após ensaiar ser vice de Ibaneis na chapa à reeleição, em 2022, Flávia Arruda saiu candidata ao Senado, mas perdeu a vaga justamente para Damares Alves.
Com o casamento com Lima, Flávia abandonou o sobrenome do ex-marido e retomou o de solteira, Péres. Além disso, assumiu a presidência do instituto Terra Firme, uma ONG fundada pelo atual marido que diz atuar para a redução da desigualdade social na Bahia.