Na tarde desta sexta-feira (28), uma tragédia ocorrida no Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (CEFET), no Rio de Janeiro, deixou duas funcionárias mortas após um ataque a tiros. Os disparos foram feitos por um homem, também servidor da instituição, que tinha problemas em ser chefiado por mulheres.
As vítimas foram identificadas como Allane de Souza Pedrotti Mattos e Layse Costa Pinheiro.
Te podría interesar
Já o assassino era João Antônio Miranda Tello Ramos Gonçalves. De acordo com o jornalista Octávio Guedes, da Globo News, com base em informações da Diretoria do Cefet Maracanã, o pedagogo não aceitava ser chefiado por uma mulher e chegou a ser transferido de unidade. No entanto, ele também arrumou problemas na nova escola e foi afastado de forma cautelar.
O funcionário chegou a mover um processo no Ministério Público, afirmando estar sendo impedido de trabalhar. No entanto, um laudo psiquiátrico dado a Gonçalves afirmava que ele estava apto ao trabalho. Ao retornar à sua antiga unidade no Cefet Maracanã, o servidor assassinou as duas funcionárias.
Quem eram as vítimas
Allane de Souza Pedrotti era a formada em Pedagogia na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e doutora em Letras pela PUC-Rio. Ela atuava como chefe da equipe pedagógica e acadêmica da Direção de Ensino do Cefet-RJ na Divisão de Acompanhamento e Desenvolvimento de Ensino. Ela atuava com assessoria pedagógica e acadêmica ao Ensino Superior e Educação Profissional Técnica de Nível Médio dos 8 campi do Estado do RJ.
Fora do ambiente acadêmico, Allane também era cantora, pandeirista e compositora. Ela se apresentava no grupo de samba Quilombo Urbano, que fez uma homenagem durante um show nesta sexta-feira (28). "Allane era maravilhosa, doce, amiga e minha parceira. Apesar de ser funcionária do Cefet, o seu sonho era viver da música. A música era sua paixão", escreveu o grupo.
Já Layse Costa Pinheiro era psicóloga e atuava no Cefet desde 2017 na área de psicologia escolar. Ela era formada pela UERJ e tinha pós-graduação em Gestão de Pessoas. Além de atuar na instituição, Layse também tinha um consultório e realizava palestras.
Ela começou a carreira como servidora pública em 2014, tendo passado em primeiro lugar no concurso para psicóloga. Também era apaixonada por música e, em suas redes sociais, se afirmava psicóloga feminista, antirracista e comprometida com a defesa de minorias.
O ocorrido
O ataque a tiros feito por João Antônio Miranda Tello Ramos Gonçalves ocorreu na tarde desta sexta-feira (28). O ocorrido começou a ser relatado nas redes sociais por alunos do Cefet, que relataram ouvir tiros e estarem apreensivos dentro da instituição. Horas depois, foi notificada a morte das duas funcionárias. Allane morreu no local e Layse chegou a dar entrada no hospital, mas não resistiu.
O servidor tirou a própria vida após o crime e seu corpo foi encontrado por policiais no local. A Delegacia de Homicídios da Capital investiga as causas do assassinato.
Nas redes sociais, o Cefet Maracanã postou uma nota oficial lamentando a tragédia e declarando luto oficial. "É com extrema tristeza que o Cefet/RJ informa o falecimento das servidoras técnico-administrativas Allane de Souza Pedrotti Matos e Layse Costa Pinheiro, vítimas de um atentado no interior da Unidade Maracanã na tarde desta sexta-feira (28). Os disparos foram efetuados por João Antonio Miranda Tello Ramos Gonçalves, também servidor da instituição, que, em seguida, tirou a própria vida", afirma a instituição.
A escola acrescenta que imediatamente após o ocorrido, a "Unidade Maracanã foi evacuada pela Diretoria de Ensino (DIREN) e foram acionados o Corpo de Bombeiros e a Polícia Militar, que atuaram nos primeiros socorros às vítimas". A instituição decretou luto por cinco dias.