TRAGÉDIA

Cefet: o que se sabe sobre servidor que matou duas funcionárias a tiros

Polícia investiga causas do crime brutal cometido pelo funcionário João Antônio Miranda na instituição

Fachada do Cefet Maracanã.Créditos: Tomaz Silva/Agência Brasil
Escrito en BRASIL el

O Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (Cefet) do Maracanã, no Rio de Janeiro, foi palco de uma tragédia nesta sexta-feira (28) após um servidor da instituição matar duas funcionárias a tiros. João Antônio Miranda Tello Gonçalves, autor dos ataques, entrou armado na escola e, após o crime, tirou a própria vida.

O caso ainda está sendo investigado pela Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), mas informações sobre Gonçalves apontam algumas possíveis causas para o assassinato. 

Segundo a Polícia Militar, o servidor tinha problemas psiquiátricos e estava afastado do trabalho há 60 dias, mas não aceitava a condição e queria retornar à instituição, principalmente ao cargo de chefe da equipe pedagógica e acadêmica da Direção de Ensino do Cefet-RJ, ocupado por uma de suas vítimas, a servidora Allane de Souza Pedrotti. 

O afastamento de Gonçalves de suas atribuições era algo recorrente. Ele acumulava uma série de licenças médicas, um dos principais motivos de atrito com a coordenadora pedagógica e também com a psicóloga Layse Costa Pinheiro, sua outra vítima. De acordo com as investigações, Gonçalves não aceitava ser chefiado por uma mulher e chegou a mover um processo no Ministério Público contra sua transferência para outra unidade do Cefet devido ao seu comportamento diante de Allane. 

Além disso, ele também teria arrumado problemas na nova unidade, novamente por não aceitar a chefia de mulheres. Diante disso, ele sofreu outro afastamento cautelar. No entanto, o servidor conseguiu um laudo psiquiátrico que afirmava que ele estava apto a voltar às suas atividades na unidade Maracanã. Ao retornar nesta sexta-feira, Gonçalves atirou nas vítimas. 

Quem eram as vítimas

Allane de Souza Pedrotti era a formada em Pedagogia na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e doutora em Letras pela PUC-Rio. Ela atuava como chefe da equipe pedagógica e acadêmica da Direção de Ensino do Cefet-RJ na Divisão de Acompanhamento e Desenvolvimento de Ensino. Ela atuava com assessoria pedagógica e acadêmica ao Ensino Superior e Educação Profissional Técnica de Nível Médio dos 8 campi do Estado do RJ.

Fora do ambiente acadêmico, Allane também era cantora, pandeirista e compositora. Ela se apresentava no grupo de samba Quilombo Urbano, que fez uma homenagem durante um show nesta sexta-feira (28). "Allane era maravilhosa, doce, amiga e minha parceira. Apesar de ser funcionária do Cefet, o seu sonho era viver da música. A música era sua paixão", escreveu o grupo.

Já Layse Costa Pinheiro era psicóloga e atuava no Cefet desde 2017 na área de psicologia escolar. Ela era formada pela UERJ e tinha pós-graduação em Gestão de Pessoas. Além de atuar na instituição, Layse também tinha um consultório e realizava palestras.

Ela começou a carreira como servidora pública em 2014, tendo passado em primeiro lugar no concurso para psicóloga. Também era apaixonada por música e, em suas redes sociais, se afirmava psicóloga feminista, antirracista e comprometida com a defesa de minorias. 

O ataque

O ataque a tiros feito por João Antônio Miranda Tello Ramos Gonçalves ocorreu na tarde desta sexta-feira (28). O ocorrido começou a ser relatado nas redes sociais por alunos do Cefet, que relataram ouvir tiros e estarem apreensivos dentro da instituição. Horas depois, foi notificada a morte das duas funcionárias. Allane morreu no local e Layse chegou a dar entrada no hospital, mas não resistiu. 

O servidor tirou a própria vida após o crime e seu corpo foi encontrado por policiais no local. A Delegacia de Homicídios da Capital investiga as causas do assassinato. 

Nas redes sociais, o Cefet Maracanã postou uma nota oficial lamentando a tragédia e declarando luto oficial. "É com extrema tristeza que o Cefet/RJ informa o falecimento das servidoras técnico-administrativas Allane de Souza Pedrotti Matos e Layse Costa Pinheiro, vítimas de um atentado no interior da Unidade Maracanã na tarde desta sexta-feira (28). Os disparos foram efetuados por João Antonio Miranda Tello Ramos Gonçalves, também servidor da instituição, que, em seguida, tirou a própria vida", afirma a instituição. 

A escola acrescenta que imediatamente após o ocorrido, a "Unidade Maracanã foi evacuada pela Diretoria de Ensino (DIREN) e foram acionados o Corpo de Bombeiros e a Polícia Militar, que atuaram nos primeiros socorros às vítimas". A instituição decretou luto por cinco dias.

Reporte Error
Comunicar erro Encontrou um erro na matéria? Ajude-nos a melhorar