O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) mobilizou R$ 7 bilhões desde 2023 para projetos de conservação, restauração e manejo florestal em todo o Brasil — o maior investimento da história do banco no setor. O anúncio foi feito nesta quinta-feira (5) pelo presidente da instituição, Aloizio Mercadante, durante a Cúpula dos Líderes da COP 30, em Belém (PA).
Segundo Mercadante, o investimento coloca o Brasil na liderança mundial da restauração florestal. “O restauro florestal é uma solução baseada na natureza, uma tecnologia que a humanidade já domina e que se mostrou extremamente eficiente para capturar carbono. Mas vai além disso: é uma forma de recompor a biodiversidade, gerar emprego e renda e reconstruir a vida das comunidades locais a partir da floresta”, afirmou durante a Sessão Temática sobre Clima e Natureza.
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Os R$ 7 bilhões mobilizados equivalem a 280 milhões de árvores plantadas, 168 mil hectares recuperados, 70 mil empregos gerados e 54 milhões de toneladas de CO2 capturadas — o equivalente a três anos sem carros nas ruas de São Paulo. Mercadante destacou que o país está revertendo a lógica da destruição ambiental.
“Estamos transformando o Arco do Desmatamento no Arco da Restauração. Na COP28, prometemos mobilizar R$ 1 bilhão para esse programa. Hoje já alcançamos cerca de R$ 7 bilhões. É o Brasil mostrando que é possível restaurar o planeta e desenvolver a economia verde”, pontuou.
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Economia verde
O BNDES consolidou suas ações no setor por meio da plataforma BNDES Florestas, que reúne programas como Floresta Viva, Arco da Restauração, Restaura Amazônia, BNDES Florestas Inovação e ProFloresta+, em parceria com a Petrobras. As iniciativas articulam restauração ecológica, crédito, inovação tecnológica e contratos de carbono, além de ações com o Fundo Amazônia e o Fundo Clima, que já aprovaram R$ 1,9 bilhão em crédito para 14 projetos, movimentando R$ 5,7 bilhões em investimentos privados.
Conforme informações do banco, o Arco da Restauração, criado na COP28 em parceria com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, já mobilizou R$ 2,4 bilhões em menos de dois anos. O Restaura Amazônia, com R$ 500 milhões (R$ 450 milhões do Fundo Amazônia e R$ 50 milhões da Petrobras), apoia sistemas agroflorestais em terras indígenas, assentamentos e unidades de conservação, beneficiando povos tradicionais e comunidades extrativistas.
“Esse é um programa economicamente sustentável, produtivo e que atrai o setor privado. Mostra que quem quer investir na economia verde não pode ter o balanço no vermelho. O Brasil tem tudo para ser o maior polo de restauração do planeta — e quero colocar o BNDES à disposição para trocar experiência e tecnologia e para buscar mais parcerias. Além de não desmatar, temos que reconstruir a floresta brasileira”, concluiu Mercadante.
Parcerias
Na terça-feira (4), o Ministério da Fazenda anunciou planos para um fundo catalítico de investimento em participações, com lançamento previsto para 2026. As equipes do BNDES e do Fundo Verde para o Clima (GCF) estão trabalhando em parceria para a construção do fundo, com tamanho indicativo inicial de mais de US$ 400 milhões. A iniciativa visa alavancar mais de US$ 1 bilhão de investidores comerciais e instituições financeiras de desenvolvimento.
“O Fundo de Capital Catalítico que anunciamos hoje, em parceria com o GCF e o BNDES, é um marco desse esforço — o primeiro de seu tipo no engajamento estratégico do Brasil com o GCF”, disse o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ressaltando que o ministério e o BNDES estão “construindo os instrumentos e as parcerias necessários para ampliar os investimentos que transformam ambição em implementação”.
Com informações do BNDES