Desde a Operação Contenção, que deixou mais de 100 mortos no Rio de Janeiro e foi ordenada pelo governador Cláudio Castro (PL-RJ), usuários da web passaram a descobrir a história do traficante que cultua a deusa grega Atena.
Começaram a pipocar nas redes sociais imagens de estátuas da deusa Atena, conhecida por ser uma exímia estrategista de guerra e divindade da justiça e da sabedoria. Nos mitos gregos, Atena nasceu já completamente adulta da cabeça de Zeus, após ter sido engolida ainda no ventre da mãe, Métis.
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Essas estátuas, localizadas no Cais do Valongo, na zona portuária do Rio, aparecem em diversas imagens divulgadas nas redes sociais do traficante. Também é possível ver registros de armamentos, correntes e pingentes da deusa. Apesar de ter sido divulgado que ele próprio construiu as estátuas, a informação não procede.
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Entre os internautas, houve quem publicasse com fascínio e outros com temor. Também não faltaram piadas: muitos fizeram referência ao anime Cavaleiros do Zodíaco, sucesso no Brasil nos anos 1990, e criaram a alcunha “traficante de Atena”.
Nas redes sociais dele, é possível ver diversos cultos à deusa, inclusive um altar. Há, ainda, pedidos de benção em meio à realidade no Rio de Janeiro, e indicações de que ele segue o calendário helenista. A Fórum entrou em contato com o suposto traficante, mas ele decidiu não falar à reportagem sobre o assunto.
O que é o Helenismo
O helenismo foi um período histórico e cultural que se seguiu às conquistas do imperador Alexandre, o Grande, no século IV a.C., marcando a difusão da cultura grega por vastas regiões da Ásia, África e Europa.
Nesse contexto, elementos gregos se misturaram a tradições orientais, criando uma cultura híbrida expressa na arte, filosofia, religião e ciência. O helenismo promoveu o cosmopolitismo e o florescimento intelectual em cidades como Alexandria e Pérgamo, influenciando profundamente o pensamento ocidental.
Atualmente, o helenismo ressurgiu como uma religião neopagã que busca reviver e praticar os antigos cultos aos deuses do panteão grego, como Zeus, Atena, Apolo e Afrodite. Seus praticantes valorizam a virtude (areté), a harmonia com a natureza, o culto doméstico aos deuses e o respeito às tradições antigas. O movimento tem ganhado adeptos em países como Grécia, Estados Unidos e Brasil, sendo reconhecido oficialmente como religião na Grécia desde 2017, em um esforço de resgatar a espiritualidade clássica sob uma perspectiva moderna e ética.