RACISMO RELIGIOSO

VÍDEO: Partido de Bolsonaro demite secretária por ser “macumbeira”

Denise Xavier afirma ter sido atacada por colegas do PL por professar a Umbanda e dispensada após acusações sem provas; Federação exige responsabilização dos envolvidos

VÍDEO: Partido de Bolsonaro demite secretária por ser “macumbeira”.Denise Xavier em vídeo e em foto com BolsonaroCréditos: Reprodução / Instagram @denisexavierthe
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A secretária-adjunta do PL no Piauí, Denise Xavier, afirma ter sido demitida do partido após sofrer ataques relacionados à sua religião. Segundo ela, colegas passaram a chamá-la de “macumbeira” em grupos internos de WhatsApp e a acusaram — sem apresentar qualquer evidência — de ter levado um “despacho” para a sede da sigla em Teresina. O caso gerou indignação de entidades religiosas e reacendeu o debate sobre intolerância contra práticas de matriz africana dentro de instituições políticas.

A denúncia ganhou repercussão após a Federação Umbandista do Brasil (Feubra) divulgar nota pública na qual repudia “com firmeza” o que classifica como uma série de ataques preconceituosos contra a funcionária. De acordo com a entidade, mensagens internas revelam que integrantes do partido chegaram a sugerir a instalação de câmeras para verificar se Denise estaria levando “terra de cemitério” ao local — acusação vista como expressão de estigmas históricos contra religiões afro-brasileiras.

“A Umbanda é religião, merece respeito e proteção”, afirmou a Feubra, destacando que condutas como as relatadas violam a Constituição Federal e configuram intolerância religiosa. A federação cobrou que o diretório estadual do PL identifique e responsabilize os envolvidos, além de expressar solidariedade à funcionária.

“Me chamaram de macumbeira, disseram que eu pareço uma assombração”

Em vídeo publicado nas redes sociais, Denise relatou os episódios de hostilidade e disse ter registrado um boletim de ocorrência. “Fui desrespeitada. Me chamaram de macumbeira, disseram que eu pareço uma assombração nas escadas e que precisariam colocar câmeras para ver se eu não estava levando despacho para dentro do partido”, afirmou. Segundo ela, áudios que circulam internamente comprovariam as ofensas.

“Por conta disso, eu também perdi meu emprego, perdi meu cargo”, declarou.

A Feubra afirma que acompanha o caso e orienta que episódios semelhantes sejam denunciados para garantir a aplicação da legislação que protege a liberdade de crença no país.

A denúncia ocorre em um partido cuja base é majoritariamente composta por evangélicos, incluindo figuras de destaque como a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Até o momento, o PL no Piauí não se manifestou publicamente sobre o caso envolvendo Denise Xavier.

Assista ao vídeo:
 

 

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