COPASA

Zema pressiona deputados e privatização da água em Minas é aprovada em primeiro turno

Votação acontece em meio a resistência crescente de trabalhadores e prefeitos que veem atropelo na decisão e possível piora no abastecimento

Créditos: Andressa Anholete/Agência Senado
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A aprovação, em primeiro turno, do projeto que autoriza a privatização da Copasa não encerra o debate — apenas escancara o quanto ainda falta explicar sobre a pressa do governo Zema e os bastidores que cercaram a votação. O placar de 50 a 17 mostrou força numérica da base, mas também revelou uma disputa intensa no plenário, marcada por obstruções, manobras regimentais e a mobilização de trabalhadores que lotaram a Assembleia ao longo da manhã.

A oposição sustentou que o texto deveria ter sido discutido com os prefeitos, já que o saneamento é uma responsabilidade municipal. Também questionou o fato de o governo ter tratado do tema com agentes do mercado financeiro antes mesmo de qualquer debate público. Ainda assim, o projeto avançou com apoio da base, que afirma que a venda ampliará investimentos e permitirá cumprir metas de universalização.

O substitutivo aprovado — prometendo 18 meses de estabilidade para funcionários, manutenção da tarifa social e criação futura de um fundo estadual de saneamento — tenta amenizar o desgaste de uma pauta impopular. Mas parlamentares contrários veem nessas “garantias” apenas uma tentativa de reduzir a resistência de servidores e prefeitos, sem alterar o impacto central da privatização.

Pressão política

O primeiro turno deixou claro que o governo quer aprovar a privatização ainda este ano. A base correu para garantir quórum quando percebeu que a oposição planejava precipitar a votação. Houve momentos de tensão, vaias intensas da galeria e discursos inflados de ambos os lados. Tudo isso para aprovar um texto ainda em disputa, que retornará agora à Comissão de Fiscalização Financeira e Orçamentária antes de seguir ao segundo turno.

A oposição promete nova rodada de obstrução e avalia que o projeto, mesmo com ajustes, entrega ao setor privado uma empresa lucrativa, comprometendo a capacidade municipal de planejamento do saneamento. Já aliados de Zema insistem que privatizar é o único caminho para cumprir metas impostas pelo marco legal do saneamento.

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