INFRAESTRUTURA

R$ 15 bilhões e 743 km: o maior projeto ferroviário do país para melhorar a infraestrutura do agro

O projeto, que soma um investimento total estimado em R$ 15 bilhões, vai construir 743 quilômetros de trilhos para o escoamento da produção de grãos do Mato Grosso e é fruto de investimento privado

Trilhos ferroviários.Créditos: Unsplash
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Descrita como “o maior empreendimento ferroviário atualmente em construção no Brasil” pela ANATC (Associação Nacional das Empresas de Transporte de Cargas), a Ferrovia de Mato Grosso (FMT) alcançou, em novembro, 73% de completude das obras e deve ter 211 km de malhas em operação até 2026.

O projeto, que soma um investimento atual de cerca de R$ 5 bilhões — com total estimado em R$ 15 bilhões ao fim de todas as etapas previstas —, é financiado por capital privado, com apoio institucional do Fundo de Desenvolvimento do Centro-Oeste (FDCO), via SUDERCO (que destinou R$ 467,2 milhões à construção de partes do trecho ferroviário).

No total, a ferrovia vai contar com 743 quilômetros de trilhos para o escoamento da produção de grãos do Mato Grosso, que chegou a 111,9 milhões de toneladas durante a safra de 2024-2025, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

A ferrovia teve seu projeto formalizado em 2021, com a aprovação, pelo governo do estado do Mato Grosso, da proposta feita pela Rumo S.A., a maior operadora de ferrovias do Brasil, especializada no transporte de commodities agrícolas. As obras se iniciaram em 2022, para ocorrer em três etapas.

A etapa inicial, com 211 quilômetros previstos, liga o município de Rondonópolis, maior polo de esmagamento, refino e envase de óleo de soja do Brasil e maior produtor estadual de ração e suplementos animais, a um terminal de escoamento em construção entre Dom Aquino e Campo Verde.

De acordo com a ANATC, a primeira fase de construção da ferrovia mobilizou cerca de cinco mil postos de trabalho, “o equivalente a aproximadamente 60% de todas as vagas abertas em Mato Grosso em obras de infraestrutura”, com um quilômetro de malha concluído todos os dias.

As fases seguintes do projeto devem expandir a ferrovia até regiões como Lucas do Rio Verde e Nova Mutum — áreas de forte expansão agrícola — e incluem, segundo projeção, um ramal até Cuiabá.

A FMT deve reduzir a dependência do transporte rodoviário pesado para escoamento de grãos, que precisam percorrer, hoje, cerca de 500 km até o terminal de embarque mais próximo. A ferrovia pode levar a uma redução de até 50% no custo do frete em comparação ao transporte rodoviário, segundo dados da Rumo.

O terminal de transbordo da primeira fase da construção, o chamado Terminal BR-070, está projetado para ter capacidade de escoar até 10 milhões de toneladas por ano.

A área destinada ao cultivo de grãos no Mato Grosso, o maior produtor de grãos do Brasil (responsável por até 31,5% da produção nacional total), foi de cerca de 22,3 milhões de hectares na safra 2024/2025. Os principais cultivos são de milho, soja, algodão e arroz.

O estado é responsável por 24,9% da produção de milho e por 27,2% da produção de soja do país. Estima-se que mais de 60% da soja e metade do milho produzidos no estado sejam destinados à exportação, e a maior parte da produção de grãos serve para a produção de ração animal em escala global.

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