ESCÂNDALO RELIGIOSO

Treta santa: quem é o pastor-deputado acusado de traição e orgias pela ex-mulher

Crise conjugal explodiu nas redes e expôs ainda mais Silas Câmara, ex-presidente da Bancada Evangélica, conhecido por outras polêmicas em sua atuação pastoral e parlamentar

Treta santa: quem é o pastor-deputado acusado de traição e orgias pela ex-mulher.Pr. Silas Câmara ao lado de Bolsonaro em um cultoCréditos: Reprodução
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A deputada federal Antônia Lúcia (Republicanos-AC) tornou público o fim de seu casamento de 33 anos com o também deputado e pastor Silas Câmara (Republicanos-AM), acusando-o de traição, abandono familiar e humilhações psicológicas. Segundo ela, o afastamento do marido já ocorria há cerca de um ano, marcado por silêncio, frieza e ausência completa da relação com os netos, que estariam em acompanhamento psicológico devido ao impacto emocional.

As denúncias mais graves envolvem supostas traições com pelo menos duas vereadoras casadas e relatos de que Silas teria praticado “orgias dentro da própria casa”, além de circular com pessoas “sem moral”, de acordo com Antônia. A parlamentar também acusa o ex-marido de apresentar um divórcio litigioso sem diálogo, usar cigarros eletrônicos escondido e adotar comportamentos que ela considera incompatíveis com a posição de pastor e líder da Assembleia de Deus no Amazonas.

A crise conjugal se soma a controvérsias políticas recentes envolvendo Silas Câmara, incluindo menções a um “gabinete do ódio” montado por assessores, conflitos familiares e investigações passadas sobre fraudes em repasses e abuso de poder econômico. O episódio provocou forte repercussão nas redes sociais e expôs publicamente um dos casais mais conhecidos da bancada evangélica, misturando escândalos pessoais, disputas políticas e desgaste da imagem pública do deputado, que permanece em silêncio.

Quem é Silas Câmara?

Nascido em Rio Branco (AC), Silas Câmara cresceu no ambiente da Assembleia de Deus, denominação à qual permanece ligado até hoje. Pastor da Igreja Evangélica Assembleia de Deus no Amazonas (IEADAM), uma das maiores do estado, construiu influência regional e nacional ao lado dos irmãos, também líderes religiosos e empresariais.

A família controla a Rede Boas Novas, emissora de rádio e TV voltada ao público cristão, ampliando seu alcance para além das fronteiras amazônicas. Na política, Silas estreou na Câmara dos Deputados em 1999 e jamais deixou o cargo. Passou por diferentes partidos até se firmar no Republicanos, legenda ligada à Igreja Universal e ao campo conservador.

Com a expansão do voto religioso no país, Câmara tornou-se um dos principais articuladores da Frente Parlamentar Evangélica (FPE), chegando a presidi-la e a atuar como porta-voz de pautas moralistas e conservadoras. Defendeu projetos absurdos e irrisórios em nome da pauta religiosa e conservadora, como por exemplo, a proposta para instituir a “Data Nacional do Jejum, Arrependimento e Perdão” e, claro, oposição a pautas de direitos sexuais e reprodutivos;

Sua projeção o levou a se reunir com frequência com líderes religiosos e com governos — sobretudo durante a gestão de Jair Bolsonaro, quando a FPE ganhou protagonismo. Embora não seja considerado parte do núcleo ideológico do bolsonarismo, Silas Câmara tornou-se aliado estratégico do ex-presidente, tornando-se uma das maiores pontes entre o bolsonarismo e as Assembleias de Deus na região Norte. A afinidade política se manteve mesmo após o fim do governo — e permanece até hoje.

Ao longo da carreira, o parlamentar acumulou uma série de controvérsias que alimentam críticas e desgastes à sua imagem pública.

Rachadinha e acordo com a PGR
Silas foi alvo de investigação por suposto esquema de desvio de parte dos salários de assessores — prática conhecida como “rachadinha”. O caso terminou com um acordo de não persecução penal e o pagamento de multa.

Cassação do mandato (revertida)
Em janeiro de 2024, o TRE-AM cassou seu mandato por captação ilícita de recursos e abuso de poder econômico nas eleições de 2022. A decisão se baseava em irregularidades no fretamento de aeronaves usado durante a campanha. Meses depois, a cassação foi suspensa e o deputado retornou ao cargo enquanto aguarda julgamento definitivo.

CPMI do INSS
Em 2025, seu nome reapareceu entre documentos da CPMI do INSS, que investiga supostas fraudes em repasses previdenciários a entidades da pesca e aquicultura. Empresas ligadas à família Câmara teriam recebido recursos em circunstâncias que levantaram suspeitas. O deputado negou as acusações, afirmando que os contratos são “legais e transparentes”.

Mesmo envolto em polêmicas, o deputado segue influente — tanto na bancada evangélica quanto no eleitorado assembleiano do Norte e ao que tudo indica, seu nome continuará presente nos debates sobre moral, política, religião e transparência pública no Brasil. E, agora, também nas páginas de escândalos pessoais que ampliam ainda mais sua visibilidade — e controvérsias.

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