ASSASSINATO

PM preso era “sugar daddy” de suspeito de matar namorada trans

Roberto Carlos de Oliveira é suspeito de envolvimento no assassinato da estudante Carmen de Oliveira Alves, de 24 anos, namorada de Marcos Yuri Amorim

Marcos Yuri Amorim e Roberto Carlos Oliveira.Créditos: Redes Sociais/Montagem
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A Polícia Civil de São Paulo prendeu o policial ambiental da reserva Roberto Carlos de Oliveira, suspeito de envolvimento no assassinato da estudante Carmen de Oliveira Alves, de 24 anos, desaparecida desde o Dia dos Namorados, em 12 de junho. Segundo as investigações, Roberto mantinha uma relação de “sugar daddy” com o namorado da vítima, Marcos Yuri Amorim, apontado como o autor do crime.

Triângulo amoroso e motivação do crime

De acordo com o delegado Miguel Rocha, responsável pelo caso, Roberto Carlos sustentava financeiramente Marcos Yuri, que era namorado de Carmen e, ao mesmo tempo, mantinha um relacionamento oculto com o policial. “A relação de sugar daddy encaixa como uma luva. O Roberto tem poder econômico e o Yuri não tem. Ele trabalhava como entregador e fazia bicos”, afirmou Rocha.

Roberto, segundo a polícia, tem uma aposentadoria como segundo tenente da Polícia Ambiental e teria recebido recentemente uma herança. Ele também teria incentivado Yuri a prestar concurso público para a Polícia Militar, o que reforça os indícios da proximidade entre os dois.

As investigações apontam que Carmen foi morta por Yuri com ajuda de Roberto, após pressionar o namorado a assumir publicamente o relacionamento. Por se recusar a expor a relação e devido à pressão familiar — contrária ao namoro por Carmen ser uma mulher transexual —, Yuri teria decidido matá-la. As informações são da Agência Estado.

Crime premeditado e dossiê

A polícia trata o caso como feminicídio, e investiga também a possibilidade de premeditação. Carmen teria descoberto supostas práticas ilícitas cometidas por Yuri e organizado um dossiê com provas armazenadas em seu notebook. Todo o conteúdo foi apagado no mesmo dia em que ela desapareceu.

Até o momento, o corpo da estudante não foi encontrado, mas a polícia acredita que ele esteja nas imediações da residência de Yuri, que vive em um assentamento em Ilha Solteira, no interior paulista, a 674 km da capital. Carmen foi vista com vida pela última vez ao sair do campus da Unesp (Universidade Estadual Paulista), onde cursava zootecnia — mesma graduação de Yuri.

Defesa alega inocência

Em depoimento, tanto Marcos Yuri quanto Roberto Carlos negaram participação no crime. O advogado do policial disse ao UOL que seu cliente é inocente e não comentou o suposto relacionamento entre ele e Yuri. A defesa de Marcos Yuri ainda não se manifestou publicamente.

Familiares e amigos clamam por justiça

Lucas Oliveira Assis, irmão de Carmen, descreveu Marcos Yuri como um "aproveitador". “Ela fazia tudo por ele: trabalhos da faculdade, comida, dava abrigo... carregava ele nas costas”, relatou. Segundo ele, o relacionamento era mantido em segredo para que a família de Yuri, que não aceitava Carmen por ela ser trans, não descobrisse.

O pai da jovem, Gerson Alves, fez um apelo emocionado nas redes sociais. “Precisamos do corpo, ou de onde que ela esteja, para a gente ficar em paz. Que punam as pessoas que fizeram essa brutalidade com ela”, escreveu.

Repercussão

A Unesp, por meio de nota oficial, lamentou o desaparecimento da estudante e afirmou que a comunidade universitária está "profundamente abalada". A universidade declarou que repudia qualquer forma de violência e está colaborando com as investigações.

As autoridades continuam as buscas por Carmen, e a Justiça já autorizou a quebra do sigilo telefônico dela e dos dois suspeitos. Dados preliminares do celular da vítima indicam que ela não deixou a cidade de Ilha Solteira.

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