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15 de outubro de 2019, 09h17

30 mil mortes no Brasil estariam associadas ao desemprego desde 2012, dizem pesquisadores

Locais onde há proteção social forte, com mais gastos com o SUS e Bolsa Família, não sentiram com a mesma intensidade os efeitos da recessão na mortalidade

Fila de desempregados no mutirão do emprego, promovido pelo sindicato dos comerciários de São Paulo. (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)

Uma pesquisa inédita feita por economistas e médicos sanitaristas do Brasil e do Reino Unido, publicada na conceituada revista científica Lancet Global Health, mostra que mais de 30 mil pessoas, de 15 anos ou mais, tiveram suas mortes relacionadas aos efeitos da crise econômica, como o aumento do desemprego.

Os pesquisadores compararam dados de mais de cinco mil cidades brasileiras. Concluíram que, para cada ponto percentual de aumento na taxa de desemprego, a mortalidade sobe 0,5 ponto percentual. Entre 2012 e 2017, a taxa de desemprego subiu de 8,4% para 13,7% no país.

Locais onde que há proteção social forte, com mais gastos com o Sistema Único de Saúde (SUS) e programas como Bolsa Família, não sentiram tanto os efeitos da recessão na mortalidade. Os mais atingidos pelo aumento da mortalidade foram homens negros, entre 30 e 59 anos.

Um dos autores da pesquisa, Rudi Rocha, da Fundação Getulio Vargas (FGV) e coordenador de pesquisa do Instituto de Estudos de Políticas de Saúde (Ieps), afirma que, por causa da recessão, houve restrição fiscal, o que piora o acesso e a qualidade dos serviços de saúde, principalmente para doenças que envolvem tratamentos mais complexos, como câncer.

O impacto maior da recessão está no Sudeste, segundo a pesquisa. Foram 16.894 mortes, ou 53% do total, enquanto o número de habitantes responde por 42% do total do Brasil.

Com informações do O Globo.


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