O que o brasileiro pensa?
26 de novembro de 2019, 10h38

A exemplo do que ocorreu na Argentina, alta no preço já faz carne sumir do prato do brasileiro

Só neste mês de novembro, o preço da carne bovina subiu cerca de 5,26%, dez vezes mais do que em outubro

Marcos Correa/PR

Desde o início do governo de Jair Bolsonaro, as carnes vieram, semana a semana, aumentando de preço. No entanto, a situação chegou a um nível insustentável e o alimento ameaça sumir do prato do brasileiro: só neste mês de novembro, o preço da carne bovina subiu cerca de 5,26%, dez vezes mais do que em outubro, segundo o Índice de Preços ao Produtor Amplo, da FGV. Situação se assemelha em muitos pontos com o que estremeceu a Argentina de Mauricio Macri em 2018.

Dados divulgados pela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), que faz pesquisa de preços semanalmente no município de São Paulo, apontou que o contrafilé, por exemplo, subiu 5,86%, e o coxão mole, 5,7%. Lagarto e fraldinha também tiveram índices altos, com 5,42% e 5,3%.

Uma das explicações possíveis para o aumento desenfreado no preço do alimento é a crise do dólar no governo de Jair Bolsonaro. A carne é um dos produtos brasileiros que são indexados pela moeda, que abriu nesta terça-feira (26) em disparada, a R$ 4,25 e já mira R$ 4,50. Conforme divulgado pela Fórum nesta segunda-feira, Bolsonaro bateu recordes nas médias mensais em sete dos dez meses já transcorridos e pode fechar novembro com a média mais alta da história da moeda, criada em 1994 com o Plano Real.

Tal crise é semelhante com a que estremeceu o governo de Mauricio Macri, na Argentina, em 2018. O país viu os preços de produtos, serviços e alimentos aumentaram 47,6%, impactando diretamente no consumo de carnes – sendo o churrasco uma das refeições mais tradicionais na Argentina. Para evitar o colapso da economia, o presidente neoliberal precisou pedir empréstimo no Fundo Monetário Mundial (FMI).

Com relação ao Brasil, especialistas também apontam como motivo para a alta dos preços o aumento das exportações para a China, que enfrenta uma queda da produção de suínos devido a uma grave crise sanitária, obrigando o país a elevar as compras externas. O Brasil, referência em agropecuária, foi um dos selecionados para suprir a demanda chinesa.

No entanto, com a oferta menor e aumento do consumo interno, o preço do boi chegou ao recorde de R$ 204,05 na última terça-feira (19), segundo o indicador Esalq/B3. A alta do preço do boi em 12 meses é de quase 40%.

Não é só o boi que ficou mais caro. No Brasil de Bolsonaro, a carne suína também acompanha as variações da carne bovina. Segundo a Fipe, as carnes de porco tiveram aumento médio de 3,11% na segunda quadrissemana de novembro. O pernil com osso, por exemplo, subiu 4,75%. Apenas o preço do frango recuou neste mês, custando menos 0,94% do que o mês anterior.


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