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02 de dezembro de 2019, 16h32

“A gente não recebeu nada do Leonardo DiCaprio”, dizem brigadistas de Alter do Chão

Em entrevista coletiva, os quatro brigadistas presos na última semana criticaram as fake news que estão circulando sobre eles e disseram estar ansiosos para voltar a defender a Floresta Amazônica

Reprodução/Instagram

Em entrevista coletiva concedida no domingo e divulgada nas redes sociais nesta segunda-feira (2), os voluntários da Brigada Alter do Chão que foram presos no último dia 26 durante operação da Polícia Civil comentaram sobre o choque ao saber das acusações do processo e sobre as fake news que têm sido divulgadas contra eles.

Todos disseram ter ficado surpresos com a ação da polícia na Operação Fogo no Sairé, principalmente por eles atuarem em parceria com as autoridades e terem uma relação muito próxima com o Corpo de Bombeiros. Os bombeiros, inclusive, já doaram materiais para os brigadistas e atuam na capacitação dos voluntários.

Fogo contra fogo

Entre as doações está um pinga-fogo, instrumento usado para fazer o chamado contra-fogo. Essa técnica tem como objetivo usar fogo contra fogo para apagar incêndios. A principal acusação contra o grupo é que eles estariam “incendiando a floresta para depois apagar”, com o objetivo de registrar fotos e vídeos.

“É revoltante a gente ser preso por conta de uma coisa completamente oposta aquilo que a gente acredita”, disse Marcelo Aron. “Foi estarrecedor pensar que a gente estava sendo suspeito de um crime ambiental, sendo que tudo o que a gente faz é para proteger o meio ambiente e não é de agora, é de muito tempo”, completou.

Daniel Gutierrez, líder do grupo, disse que os brigadistas colaboraram com a Polícia desde o início com o objetivo de esclarecer o caso. “A gente levou tudo o que a gente tinha para colaborar com as investigações e a gente ficou muito feliz em colaborar. Deixamos com eles gigas de material e fotos”, contou. “Eu e o João somos fotógrafos. A gente faz imagens durante o incêndio porque não é qualquer um que tem coragem de ir até lá, então a gente precisa mostrar o que está acontecendo”, disse ainda.

WWF e Leonardo DiCaprio

Os brigadistas também comentaram sobre a relação com a ONG WWF e o ator Leonardo DiCaprio, envolvido no caso pelo presidente Jair Bolsonaro. “Realmente a gente não recebeu nada do Leonardo DiCaprio. A gente realizou duas campanhas de arrecadação veiculadas nos nossos próprios meios de comunicação. A primeira foi para a realização do curso [de brigadistas], em julho”, disse Aron.

Eles contaram ainda que a única relação com a WWF foi através de um contrato de parceria técnico-financeira que comprou equipamentos para os voluntário atuarem no combate às queimadas.

“O que a gente mais quer nesse momento é que a vida volte ao normal, é poder retomar os trabalhos na brigada, mas tá impossível agora. A gente está vivendo 12 horas de cada vez. Por conta das fake news espalhadas sobre a gente, nós estamos em perigo. O portão da minha casa foi arrombado. A gente recebe ameaças diárias em grupos de WhatsApp de Alter do Chão”, relatou ainda Gutiérrez.

Assista à íntegra da coletiva dos brigadistas aqui

 


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