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23 de abril de 2018, 18h54

Compra da Somos pela Kroton aponta para cartel na educação, diz Daniel Cara

Para educador, o mercado de educação é enorme e o governo Temer e aliados têm dado demonstrações de que pensam em privatizar a educação básica pública

Daniel Cara:”“Há um esforço de concentração de capital na educação. A Kroton é protagonista desse processo, mas não é a única” – Foto: Reprodução

A Kroton Educacional, uma das maiores organizações no setor de educação superior privada no Brasil, divulgou, nesta segunda-feira (23), que fechou a aquisição do controle da Somos Educação por R$ 4,56 bilhões. “A Kroton tem todas as características de um cartel, mas é preciso convencer o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) disso, o que não é simples. As economias nacionais vivem processos de cartelização. A economia mundial tem perdido controle dos processos e operações nas bolsas de valores. O mundo é regido pela corretagem de ações. Se o mundo não impõe um freio, imagina um governo submisso como o de Michel Temer?”, avalia Daniel Tojeira Cara, educador, cientista político e ativista político, além de coordenador geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação e membro do Conselho Universitário da Unifesp.

A compra será formalizada pela Saber Serviços Educacionais, subsidiária da Kroton, que se dedica exclusivamente ao mercado de educação básica. Com a aquisição da Somos, a Saber atenderá 37 mil alunos em escolas próprias, 25 mil em cursos de idiomas, 1,2 milhão em escolas particulares parceiras, além de atingir cerca de 33 milhões de estudantes de escolas públicas por meio do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD).

“Há um esforço de concentração de capital na educação. A Kroton é protagonista desse processo, mas não é a única. Ocorre que o mercado de educação é enorme e o governo Temer e aliados têm dado demonstrações de que pensam em privatizar a educação básica pública. Então, essas aquisições têm dois sentidos: melhorar a posição das empresas no mercado privado e se posicionar bem para disputar parcerias público-privadas. E há agenciamento e estruturação desse mercado, como a recente área do Insper (instituição de ensino superior que atua nas áreas de negócios, economia, direito, engenharia mecânica, mecatrônica e da computação) para parcerias público-privadas na educação. O Insper tem estudado e dado consultoria para processos de PPS em educação. O mais recente é o CIS (Contratos de Impacto Social). A FGV estuda laboratórios similares. E isso tudo é muito ruim, pois a educação precisa ser republicana e democrática e isso exige que ela seja estatal, pois esse projeto não cabe no jogo do lucro. Minha tese é que esse é só mais um capítulo. Haverá novas aquisições”, analisa Daniel Cara.

Ele conta que a Somos é a antiga Abril Educação. “Todo o grupo Abril estava e está em crise. A Somos era um braço com maior liquidez e bom potencial de mercado, e foi vendido. O grupo Abril perdeu solidez econômica há muitos anos. Como todos os grupos ancorados na grande imprensa, até mesmo as Organizações Globo”, acrescenta.

A Somos Educação detém escolas próprias, como o Sigma, o Colégio Anglo, entre outras, além de cursos de idiomas, como o Red Ballon, e cursos pré-vestibulares, como o PH. É também dona de editoras, como a Ática, a Scipione e a Saraiva. A operação ainda terá de ser aprovada pelo Cade.


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