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29 de julho de 2018, 10h54

‘A PM substituiu o capitão do mato’, diz mãe de jovem morto na Chacina do Borel

Maria Dalva da Silva perdeu seu filho em execução à queima roupa. Após 15 anos ela luta para “que não mais aconteça e para que não se esqueça”

(Foto: Thiago Lara/Divulgação)

Desde 16 de abril de 2003, Maria Dalva da Costa Correa da Silva luta por justiça. Naquele dia ela perdeu seu filho Thiago da Costa Correia da Silva, morto na chacina da Favela do Borel, zona norte do Rio de Janeiro. Thiago e outros três jovens foram executados à queima roupa por policiais do 6º Batalhão da Polícia Militar.

Seu filho era mecânico e tinha o sonho de ser engenheiro, mas o sonho dele foi interrompido, junto com os de Carlos Alberto da Silva Ferreira, 21 anos, pintor e pedreiro, Carlos Magno de Oliveira Nascimento, 18 anos, estudante, e Everson Gonçalves Silote, 26 anos, taxista.

“Até hoje eu digo que para que não mais aconteça e para que não se esqueça. As pessoas têm que entender que nós também pertencemos à cidade. Se a cidade fosse nossa, a gente não estaria morrendo”, afirmou Maria Dalva, que participou de um debate na Tenda de Direitos Humanos, no II Festival Internacional da Utopia, realizado em Maricá, de 19 a 22 de julho, a lado da mãe de Marielle Franco, Marinete da Silva.

Quinze anos depois da Chacina do Borel ninguém foi responsabilizado. Os policiais alegaram legítima defesa e o caso foi registrado inicialmente como “auto de resistência”. Mas com relatos de testemunhas, familiares das vítimas, e evidências forenses as investigações concluíram que os quatro jovens foram executados, que os policiais não agiram em legítima defesa e identificou os policiais responsáveis.

“Só muda o local, mas os personagens são os mesmos, jovens negros mortos pela polícia”, diz Maria Dalva, que faz parte da Rede de Comunidades e Movimentos contra a Violência. “A PM surgiu para substituir o capitão do mato, o que o capitão do mato fazia? Caçava negros fujões. Continua.”

A Chacina do Borel não é uma exceção. Em cinco meses de intervenção militar no Rio, as chacinas aumentaram 80% e as mortes em chacinas (três pessoas mortas ou mais) subiram 128%.

Assista ao relato de Maria Dalva.


*Colaborou Felipe Martins e Thiago Lara


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