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08 de abril de 2019, 11h15

Advogado afirma que projeto anticrime de Moro legitima ações como a que matou pai de família no Rio

Para o advogado Ariel de Castro Alves, do Conselho Estadual de Direitos Humanos de São Paulo, o projeto de Moro livraria os militares que cometeram a ação que ocorreu em Guadalupe

Evaldo dos Santos Rosa. Foto: Reprodução

De acordo com o advogado Ariel de Castro Alves, uma vez aprovado o chamado ‘excludente de ilicitude’, artigo que abre o projeto anticrime do ministro da Justiça Sérgio Moro, ficariam impunes os militares que cometeram a ação que ocorreu em Guadalupe, zona norte do Rio de Janeiro, neste domingo (7). Na ocasião, o carro de uma família foi atingido por mais de 80 disparos, segundo perícia realizada pela Polícia Civil. Na ação morreu o músico Evaldo dos Santos Rosa.

Ariel, que é conselheiro do Conselho Estadual de Direitos Humanos de São Paulo e membro do Grupo Tortura Nunca Mais, afirma que “a proposta do ministro da Justiça Sérgio Moro legitima execuções e extermínios praticados por policiais. Uma verdadeira lei do abate de pobres. Policiais poderão matar à vontade, justificando que suas vítimas estavam em ‘atitude suspeita’.

O conselheiro afirma ainda que “adolescentes e jovens negros serão as principais vítimas, como já ocorre atualmente, mas em proporções ainda maiores. O Medo, surpresa, iminência de conflito armado e a violenta emoção, segundo a proposta, servirão para atenuar ou excluir a responsabilização penal de policiais, ou qualquer pessoa que cometa assassinato alegando legítima defesa”, encerra.

Entenda o caso

O carro de uma família foi atingido por mais de 80 disparos, segundo perícia realizada pela Polícia Civil. Cinco pessoas estavam no carro e iam para um chá de bebê: pai, mãe, uma criança de 7 anos, o sogro e uma mulher.

Os militares envolvidos no caso foram ouvidos, segundo a Polícia Civil, pelo próprio Exército — que entendeu que a investigação deveria ser militar. A Polícia Civil, no entanto, vê indícios para prisão em flagrante.

Reportagem do portal G1 nesta segunda-feira informa que o delegado Leonardo Salgado, da Delegacia de Homicídios do Rio de Janeiro, disse neste domingo que “tudo indica” que os militares do Exército que mataram Evaldo, atiraram ao confundirem o carro com o de assaltantes.

Evaldo, de 51 anos, morreu na hora. Ele era músico e segurança O sogro dele, Sérgio, foi baleado e hospitalizado. A esposa, o filho de 7 anos e uma amiga não se feriram. Um pedestre que passava no local também ficou ferido ao tentar ajudar.

Logo após a morte, o Comando Militar do Leste (CML) negou que tenha atirado contra uma família e disse que respondeu a uma “injusta agressão” de “assaltantes”. À noite, em outra nota, informou que o caso estava sendo investigado pela Polícia Judiciária Militar com a supervisão do Ministério Público Militar.

Uma amiga da família, que estava dentro do carro, contestou a versão do Exército e disse que os militares não fizeram nenhuma sinalização antes de abrir fogo contra o veículo.

Repórter da Globo ameaçado

O repórter Carlos de Lannoy foi ameaçado de morte logo após fazer matéria no Fantástico, da TV Globo, na noite deste domingo (7), sobre a operação do Exército que resultou no fuzilamento de um veículo de passeio no Rio de Janeiro.

O repórter compartilhou, em sua conta do Twitter, mensagem, postada em nome de Erik Procópio, enviada a ele minutos depois do “Fantástico” exibir a reportagem “Homem morre depois que carro em que ele estava com a família foi fuzilado pelo Exército”.

 


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