Fórumcast #19
19 de março de 2019, 15h56

Agredido por funcionários, cliente acusa supermercado Carrefour de racismo

O caso aconteceu no ano passado em uma unidade do Carrefour em São Bernardo do Campo (SP) mas as imagens só se tornaram públicas agora; negro e deficiente físico, um homem levou socos, chutes e um "mata-leão" de funcionários após abrir uma lata de cerveja pela qual, inclusive, pagou; ele pede indenização de R$200 mil

Reprodução

Mais um caso de agressão em supermercado veio à tona nesta terça-feira (19). Imagens obtidas pelo portal G1 de outubro de 2018 mostram um cliente sendo agredido por funcionários do Carrefour do bairro Demarchi, em São Bernardo do Campo.

De acordo com os advogados de Luis Carlos Gomes, que é negro e deficiente físico, ele teria aberto uma lata de cerveja enquanto fazia compras quando foi abordado pelo gerente da loja que  o “intimidou, ofendeu, injuriou e caluniou de forma ameaçadora”. “Seu vagabundo, você vai ter que pagar por isso, seu ladrão!”, teria dito o funcionário.

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O cliente, então, segundo narra sua defesa, teria mostrado que pagaria pelo produto e seguiu fazendo suas compras. Mas um segurança da loja se uniu ao gerente e ambos teriam continuado a perseguição a Luiz com “injúrias” e “ameaças”.

Desestabilizado, Luiz teria deixado seus documentos e o cartão do banco com uma funcionária do caixa para ir ao banheiro quando foi surpreendido pelo gerente e o segurança, que teriam o agredido com socos, chutes e um “mata-leão”. Outros clientes do supermercado, então, ao verem a cena, impediram que os funcionários continuassem com a agressão e chamaram a Polícia Militar.

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O cliente, ferido, foi encaminhado para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e, na sequência, conduzido para o  3º DP (Distrito Policial) de São Bernardo do Campo, onde registrou um boletim de ocorrência. Os funcionários, por sua vez, prestaram depoimento na mesma delegacia.

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Em nota, o Carrefour informou que “a empresa sente profundamente pela situação a qual nosso cliente foi submetido e informa que, logo após rigorosa apuração, os colaboradores envolvidos foram desligados. A rede repudia veementemente qualquer tipo de violência e reforça que, constantemente, realiza treinamentos e reorienta suas equipes, a partir da prática do respeito que exige dos seus colaboradores e prestadores de serviço. A empresa esclarece ainda que permanece colaborando com as investigações”.

Luis, por sua vez, entrou com um processo  na 3ª Vara Cível da Comarca de São Bernardo em que pede uma indenização de R$200 mil por racismo.

Assista, abaixo, as imagens do circuito interno do Carrefour que mostram parte das agressões.

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