sábado, 24 out 2020
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Amazônia perdeu 4 estados do RJ para pastagens desde 2000, aponta IBGE

Números do IBGE apontam que o bioma menos afetado no período de 2000 e 2018 foi o Pantanal, que vem sofrendo com as queimadas em 2020

Dados revelados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira (24) apontam que todos os biomas brasileiros perderam cobertura natural entre 2000 e 2018, mas que houve uma redução no percentual de devastação com o tempo. O bioma mais afetado em números absolutos foi a Amazônia, com 269,8 mil km² devastados. Em todo o país, foram cerca de 500 mil km².

Desses 269,8 mil km², que representam 8% da floresta, 177,6 mil km² viraram pastagem. A dimensão é equivalente a quatro vezes o estado do Rio de Janeiro. “A Amazônia foi o bioma com mais perdas, entre 2000 e 2018: menos 265.113 km², a maior redução de coberturas naturais nos biomas brasileiros. Em 2018, sua cobertura florestal representava 75,7% de sua área original”, diz o IBGE ao apresentar o estudo Contas de Ecossistemas: Uso da Terra nos Biomas Brasileiros (2000-2018).

Apesar da devastação da Amazônia ser a maior em números totais, foi o Pampa que mais foi afetado percentualmente, com perdas de 16,8% da área natural no mesmo período. A vegetação natural campestre sofreu redução de 15.607 km² entre 2000 e 2018, 58,0% para área agrícola.

O IBGE ressalta também que as perdas foram diminuindo com o passar dos anos, com destaque para a Mata Atlântica. “Entre 2000 e 2018, houve uma desaceleração nas perdas de áreas naturais no país. A maior desaceleração ocorreu no Bioma Mata Atlântica”, apontam. A Mata Atlântica é o bioma menos preservado do país e conserva apenas 16,6% de suas áreas naturais.

Pantanal

O bioma que foi menos afetado no período investigado foi o Pantanal, que tem sofrido com recordes históricos de queimadas durante o ano de 2020. O número de focos de incêndio registrados em setembro já superou todos os índices do mês desde 1998, quando o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) começou a fazer medições. Em sete meses, os focos de incêndio de 2020 já são maiores que os monitorados nos últimos sete anos.

Pesquisadores apontam que o bioma pode precisar de ação humana para se recuperar. O fogo teria começado por ação de ruralistas, segundo investigação da Polícia Federal.

Confira aqui o estudo completo

Lucas Rocha
Lucas Rocha
Jornalista da Sucursal do Rio de Janeiro da Fórum.