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14 de julho de 2020, 21h02

Aos prantos, motoboy agredido por PMs diz que foi eletrocutado dentro da viatura e ameaçado de morte

Em depoimento após a abordagem truculenta, em que gritava "não consigo respirar", entregador chorou e denunciou que seguiu sendo agredido já depois de detido; ele participava da manifestação de entregadores de aplicativos em São Paulo. Assista

Reprodução

O motoboy que foi agredido pela Polícia Militar de São Paulo na tarde desta terça-feira (14) afirmou que, além de ter sido sufocado durante a ação dos PMs, ainda seguiu sendo agredido depois de detido e teria até mesmo sido eletrocutado pelos agentes dentro da viatura.

Negro, o motoboy participava da manifestação de entregadores de aplicativos, que reivindicam melhores condições de trabalho, quando foi abordado por policiais, que o agrediram com uma gravata enquanto ele gritava “não consigo respirar” – frase que foi eternizada pelo estadunidense George Floyd antes de morrer, também em decorrência de uma abordagem policial violenta.

Após ser liberado pela corporação, o entregador gravou um vídeo em que revela que foi ameaçado de morte pelos policiais a caminho da delegacia e que recebeu choques elétricos. “Mais de 6 policiais me agrediram, me bateram, tacaram spray na minha cara, eu já dentro do camburão me eletrocutaram. Ela (a policial) queria me tratar como prêmio. Queria tirar foto para se gabar que tinha me prendido, eu não deixei, ela falou que ia me matar, um monte de coisa. Olha meu estado”, afirma o entregador, mostrando as marcas da agressão.

Em outro vídeo, o motoboy chora ao falar da agressão que sofreu. “Eu não tenho estrutura com o que fizeram comigo hoje. Apreenderam minha moto. Não tenho nem o direito de me manifestar mais, e ta aí ó, o abuso da polícia. Eu parado e me agrediram, me ameaçaram de morte e tudo mais”.

As imagens da agressão serão analisadas pela Corregedoria da Polícia Militar. Em nota, a secretaria de Segurança Pública de São Paulo informou que o motoboy foi abordado por estar com a placa do veículo encoberta. “Os PMs abordaram. O motociclista ofereceu resistência, sendo contido”, informou o órgão, que disse ainda que o entregador estava com a CNH vencida.

O caso foi registrado no 14º DP, onde o motoboy teve que assinar um termo circunstanciado de resistência. A moto foi apreendida e o entregador liberado.

Procurada pela reportagem da Fórum para comentar as denúncias de agressão, já depois de detido, do motoboy, a secretaria de Segurança Pública se limitou a informar que “a Corregedoria da PM está à disposição para registrar e apurar qualquer denúncia contra seus agentes”., reforçando ainda que a abordagem se deu pelo foto de o entregador estar com a placa da motocicleta encoberta.

“A Polícia Militar esclarece que a abordagem ocorreu às 13h40, de terça-feira (14), na Avenida Rebouças, zona oeste da Capital. Ao visualizar o motociclista em cima da calçada e com a placa encoberta, a equipe policial deu ordem de parada e iniciou a abordagem. O motociclista ofereceu resistência, sendo contido. Foi constatado que ele está com a habilitação vencida desde 2019. A ocorrência foi encaminhada ao 14º DP, onde foi elaborado um termo circunstanciado de resistência. A motocicleta foi apreendida administrativamente e a autoridade policial solicitou exames de corpo de delito aos policiais e ao rapaz, e encaminhou o caso ao Juizado Especial Criminal (Jecrim). A Corregedoria da PM está à disposição para registrar e apurar qualquer denúncia contra seus agentes”, diz a nota.

Assista aos depoimentos do motoboy.


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