Entrevista exclusiva com Lula
05 de abril de 2019, 13h20

Após ação da PM em escola de Guarulhos, Giannazi quer convocar diretor e dirigente de ensino

"É inadmissível que se coloque a polícia dentro da escola para resolver questões pedagógicas e de gestão escolar", disse o deputado

Carlos Giannazi é membro da Comissão de Educação da Assembleia Legislativa de São Paulo - Foto: Alesp

O deputado estadual Carlos Giannazi (PSOL-SP) pedirá que a Comissão de Educação da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), com urgência, convoque a direção da escola estadual Frederico de Barros Brotero e a diretoria de ensino da região Sul de Guarulhos para que seus responsáveis prestem esclarecimentos sobre “o autoritarismo” e “a violência policial” identificados em operação armada na noite de quinta-feira (05), nas dependências da unidade.

A Polícia Militar informou que vai investigar a conduta dos agentes envolvidos na operação, que apreendeu dois adolescentes de 16 anos. A Ouvidoria da Polícia informou, no início da tarde desta sexta-feira, que o PM que colocou o cano da arma no peito de uma aluna já foi afastado de suas funções pela corregedoria.

“É inadmissível que se coloque a polícia dentro da escola para resolver questões pedagógicas e de gestão escolar. Alunos do período noturno apenas faziam manifestação contra o autoritarismo do diretor que os impede de entrar na segunda aula. O aluno trabalhador muitas vezes chega atrasado porque não consegue sair antes do serviço, por causa do péssimo sistema de transporte público, do trânsito e tem o direito de entrar na segunda aula. Estamos tomando as providências cabíveis contra o autoritarismo da direção, da violência policial e da omissão da dirigente de ensino de Guarulhos Sul [Maria Aparecida do Nascimento Barretos]”, disse Giannazi à Fórum.

Vídeos divulgados nas redes sociais mostram cenas como a em que um dos menores foi detido e a que um policial empurra uma adolescente com uma arma de cano longo, que se assemelha a uma espingarda calibre 12 – modelo autorizado pelo governador João Dória (PSDB) para uso da PM em todos os chamados ao 190.

Também do PSOL, a deputada estadual Isa Penna (SP) já havia repudiado as apreensões arbitrárias dos estudantes em sua conta no Twitter.

Sem respostas

Em busca de esclarecimentos, a Fórum acionou as secretarias de Educação e de Segurança Pública (SSP) do governo de São Paulo.

A primeira respondeu apenas que “vai apurar o episódio da Escola Estadual Frederico de Barros Brotero, em Guarulhos e colaborar com Polícia para esclarecer o fato”.

Por meio da SSP, a Polícia Militar informou ter apreendido dois adolescentes de 16 anos “por ameaça, dano e vias de fato”. Na tarde desta sexta-feira (05), os estudantes serão encaminhados à Vara da Infância e da Juventude de Guarulhos.

A ocorrência está sendo investigada pelo 1º DP da Polícia Civil na cidade.

A PM disse ainda que “tomou ciência do vídeo da ação e instaurou investigação para analisar a conduta dos policiais envolvidos e todas as circunstâncias da ocorrência”.

Diversos pontos questionados pela Fórum permanecem, contudo, sem respostas. Entre eles: quem acionou e autorizou a entrada de policiais na escola; se a direção da unidade e a Secretaria de Educação considera que as medidas policiais foram necessárias; o número de agentes na operação; se houver orientação superior para o uso de armas a fim de conter os alunos; e se houve disparo de tiros.


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