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24 de setembro de 2019, 09h38

Após assassinato de Ágatha, Witzel publica ato que acoberta mortes cometidas por policiais

Na prática, policiais não serão mais incentivados a diminuírem sua letalidade e, como consequência, número de mortos passará a ser acobertado

Wilson Witel, governador do Rio - Foto: Reprodução/Facebook

Em decreto publicado no Diário Oficial desta terça-feira (24), o governador Wilson Witzel retirou a redução de mortes cometidas por policiais como um dos indicadores do Sistema Integrado de Metas. Na prática, policiais não serão mais incentivados a diminuírem sua letalidade e número de mortos passará a ser acobertado.

Criado em 2009, o Sistema Integrado de Metas foi um dos principais mecanismos de redução da letalidade e de crimes contra o patrimônio no Rio de Janeiro. Uma das táticas utilizadas pelo Sistema era oferecer recompensas pagas a policiais militares do estado que reduzissem número de mortos.

O cientista social e pesquisador na área de Segurança Pública e Direitos Humanos, Pablo Nunes, disse em entrevista à Fórum que, com o decreto publicado nesta terça, o governo envia mais uma mensagem de que a letalidade policial não será coibida.

“A consequência muito provável é a continuação de recordes históricos de letalidade policial e mais tragédias como a morte de Ágatha”, disse Pablo, que também atua no conselho técnico da plataforma Fogo Cruzado, responsável por registrar dados sobre violência armada no país. “A publicação desse decreto, dias após a morte de Ágatha, é um escárnio e uma mensagem clara de que a única política de segurança que esse governo propõe é a da morte”, completou.

Pablo também mencionou que o Rio de Janeiro alcançou a menor marca de homicídios e letalidade policiais em 2012, com auxílio do Sistema. O sistema previa a redução de quatro crimes de letalidade violenta: homicídio doloso, roubo seguido de morte, lesão corporal seguida de morte e a morte decorrente de intervenção policial, sendo que Witzel retirou esta última.

Fogo Cruzado

Segundo a plataforma, o assassinato da menina Agatha Félix, de 8 anos, que morreu após ser atingida por tiro de fuzil da Polícia Militar enquanto voltava para casa com sua família, foi o 16º episódio em que uma criança foi baleada no Rio de Janeiro apenas este ano.

“Agatha (8 anos) – foi a 16º criança baleada este ano no Grande Rio – a 5º que não resistiu aos ferimentos e morreu. Ela estava com o avô numa kombi quando foi atingida nas costas, ontem, no Complexo do Alemão”, publicou o Fogo Cruzado que listou ainda 12 casos de crianças com menos de 12 anos que foram vítimas de tiros no estado. Cinco, incluindo Agatha e um bebê dentro da barriga da mãe, morreram.


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