terça-feira, 29 set 2020
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Após nomear militar como assessor, Toffoli se refere a “movimento de 1964” para falar do golpe

Após nomear o general da reserva Fernando Azevedo e Silva para assessorá-lo na presidência do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Dias Toffoli afirmou na manhã desta segunda-feira (1º) que não se refere “nem a golpe, nem a revolução de 64”.

Em palestra no evento “30 anos da Constituição Federal de 1988”, na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), o ministro disse que os militares serviram como uma ferramenta de intervenção que, em vez de funcionar como moderadores, optaram por ficar no poder, segundo o portal Jota.

Com isso, segundo ele, os militares se desgastaram com ambos os lados, direita e esquerda, que criticaram o governo militar. “Por isso, não me refiro nem a golpe nem a revolução de 64. Me refiro a movimento de 1964”, disse Toffoli.

Militar no Supremo
Em reportagem publicada nesta segunda-feira (1º), a Folha de S.Paulo questionou o ministro sobre a presença do general da reserva na assessoria da presidência do STF. Segundo o jornal, Toffoli disse, via assessoria, que “a escolha obedeceu a critérios objetivos de habilidades e competências”.

O general Azevedo e Silva foi sugerido ao ministro pelo general Eduardo Villas Bôas, comandante do Exército Brasileiro.

A revista Época revelou que Silva participou de um grupo formulador de propostas para a campanha de Jair Bolsonaro (PSL) e ofereceu almoço ao vice da chapa, general da reserva Antônio Hamilton Mourão. Foi apenas uma reunião de “velhos camaradas”, Silva disse à revista.

“O convite foi uma má ideia do ministro Toffoli”, diz o criminalista José Carlos Dias, ministro da Justiça no governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), ouvido pela Folha. “O Supremo jamais precisou de uma assessoria militar. A escolha fica mal para o STF, pois é absolutamente desnecessária”.

Redação
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