Fórumcast #19
07 de fevereiro de 2018, 21h05

Artistas fazem casas de bioconstrução com sem tetos no DF

Alinne Moraes, Paula Lavigne, Sônia Braga, Paula Burlamarqui, o rapper Criolo e ainda as lideranças indígenas Sônia Guajajara e Samanta Xavante passaram o dia hoje botando a mão na massa com os sem teto do Distrito Federal

Por NINJA

Alinne Moraes, Paula Lavigne, Sônia Braga, Paula Burlamarqui, o rapper Criolo e ainda as lideranças indígenas Sônia Guajajara e Samanta Xavante passaram o dia hoje botando a mão na massa com os sem teto do Distrito Federal. Estiveram no terreno conquistado pelo MTST – Movimento dos Trabalhadores Sem Teto – o condomínio Sol Nascente.

O local será um conjunto habitacional, construído pela própria força do movimento, sem esperar a boa vontade do Estado ou a verba do Minha Casa Minha Vida, extinto pelo Governo Temer no orçamento de 2018.

O terreno foi ocupado, e conquistado pelo movimento para a construção. Com a total ausência de verbas para construção de moradias populares, e desinteresse político dos governantes, a solução foi construir as moradias com técnicas de bioconstrução, que utilizam barro, madeiras, bambú e outros materiais de baixo custo somados a tecnologias milenares.

Veja também:  Glenn Greenwald dispara contra Witzel: "Verdadeiro e literal sociopata"

Bioconstrução

Para botar as casas de pé com poucos recursos, um enorme mutirão de bioconstrução está em processo. A primeira casa que será entregue é a de Tia Alzerita, militante antiga do movimento, e terá custo de cerca de R$12 mil (contra cerca de R$ 50 mil da construção tradicional, de alvenaria).

Marcos Ninguém, um dos idealizadores da Unipermacultura, iniciativa que está gerindo a empreitada, apresentou a casa modelo e as técnicas em uso.

Além da enorme diferença de preço, a construção de alvenaria causa mais impacto no meio ambiente, pois utiliza grande quantidade cimento (oriundo da estação de calcário), de areia (geralmente extraída de rios), de brita (mineração) e de água.

Na casa ecológica de Auzerita, foram usados Pilares de eucalipto ecológicos, tratados contra a umidade e a ação de cupins sem produtos que possam contaminar o solo, paredes com vigas de bambu, preenchidas com uma mistura de barro, palha e uma pequena porção de cimento e tinta ecológica cola de madeira, argila e cal.

Veja também:  Monica Benicio, viúva de Marielle, visita Lula: "Assim como Marielle, dedicou a vida a lutar pelos que mais precisam"

O pé direito permite ótima circulação de ar. O barro absorve umidade da noite, o que faz que durante o dia, no pico de calor, se tenha um ambiente fresco. À noite, acontece o contrário: o calor absorvido durante o dia serve para manter o ambiente aquecido, o que é ideal nas noites frias do Cerrado.

Tudo é reaproveitado: restos de madeira são usados para fechar brechas, evitando a entrada de animais. Tintas velhas para fazer alguns acabamentos nas janelas e portas. Pneus velhos para isolar a base dos pilares de eucalipto da umidade. O chão é feito de solo-cimento, uma mistura do solo local e de cimento.

Foto: NINJA


Você pode fazer o jornalismo da Fórum ser cada vez melhor

A Fórum nunca foi tão lida como atualmente. Ao mesmo tempo nunca publicou tanto conteúdo original e trabalhou com tantos colaboradores e colunistas. Ou seja, nossos recordes mensais de audiência são frutos de um enorme esforço para fazer um jornalismo posicionado a favor dos direitos, da democracia e dos movimentos sociais, mas que não seja panfletário e de baixa qualidade. Prezamos nossa credibilidade. Mesmo com todo esse sucesso não estamos satisfeitos.

Queremos melhorar nossa qualidade editorial e alcançar cada vez mais gente. Para isso precisamos de um número maior de sócios, que é a forma que encontramos para bancar parte do nosso projeto. Sócios já recebem uma newsletter exclusiva todas as manhãs e em julho terão uma área exclusiva.

Fique sócio e faça parte desta caminhada para que ela se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Apoie a Fórum