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18 de fevereiro de 2020, 10h26

Associação indígena defende Alessandra Negrini: “Colocou corpo e voz a serviço de uma das causas mais urgentes”

Atriz desfilou acompanhada de Sônia Guajajara em bloco de Carnaval neste domingo (16) e causou polêmica com pintura indígena

Reprodução/Redes sociais

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) divulgou uma nota nesta segunda-feira (17) sobre a polêmica fantasia da atriz Alessandra Negrini, que desfilou no último domingo (16) no bloco Acadêmicos do Baixo Augusta com adereços e pintura indígena. Após o desfile, diversas pessoas, parte delas também indígenas, acusaram a artista de apropriação cultural.

Para a Apib, no entanto, a atriz “colocou seu corpo e sua voz” à disposição da causa indígena e que não é momento para atacá-la. “Reafirmamos que o momento é de união entre todos, e não atacar uma aliada por se juntar a nós em um protesto. Alessandra Negrini colocou seu corpo e sua voz a serviço de uma das causas mais urgentes. Fez uso de uma pintura feita por um artista indígena para visibilizar o nosso movimento. Sua construção foi cuidadosa e permanentemente dialógica, compreendendo que a luta indígena é coletiva”, diz a nota.

Em outro trecho, a associação continua na defesa da atriz e diz que a discussão sobre apropriação cultural deve ser feita com responsabilidade. “Diferenciando quem quer se apropriar de fato das nossas culturas, ou ridiculariza-las, daqueles que colocam seu legado artístico e político à disposição da luta. Alessandra Negrini é ativista, além de artista, e faz parte do Movimento 342 Artes, que muito vem contribuindo com o movimento indígena. Esteve conosco em momentos fundamentais. Portanto, ela conta com o nosso respeito e agradecimento. E assim será, sempre quem estiver ao nosso lado”, finaliza.

A Apib é uma organização que reúne lideranças indígenas de vários estados, incluindo a ativista Sônia Guajajara, que também participou do bloco ao lado de Alessandra e outras lideranças indígenas.

Leia a nota completa:

Estamos vivendo a maior ofensiva em séculos de nossa história. Essa semana está tramitando no Congresso uma MP que tenta regularizar a grilagem, o PL da Devastação quer impor a mineração e a exploração das terras indígenas, um evangélico missionário está em um posto estratégico da FUNAI e pode provocar a extinção de povos não contactados. São muitos os ataques. Não nos esqueçamos, o momento é grave e dramático, querem nos dizimar!

Por isso, reafirmamos que o momento é de união entre todos, e não atacar uma aliada por se juntar a nós em um protesto. Alessandra Negrini colocou seu corpo e sua voz a serviço de uma das causas mais urgentes. Fez uso de uma pintura feita por um artista indígena para visibilizar o nosso movimento. Sua construção foi cuidadosa e permanentemente dialógica, compreendendo que a luta indígena é coletiva.

É preciso que façamos a discussão sobre apropriação cultural com responsabilidade, diferenciando quem quer se apropriar de fato das nossas culturas, ou ridiculariza-las, daqueles que colocam seu legado artístico e político à disposição da luta. Alessandra Negrini é ativista, além de artista, e faz parte do Movimento 342 Artes, que muito vem contribuindo com o movimento indígena. Esteve conosco em momentos fundamentais. Portanto, ela conta com o nosso respeito e agradecimento. E assim será, sempre quem estiver ao nosso lado.




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