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21 de abril de 2018, 17h17

Autor da foto de Boff diz que queria carregá-lo pelos braços até os braços de Lula

Eduardo Matysiak, autor da foto que mostra Leonardo Boff sentado na porta da Polícia Federal ao tentar visitar Lula e que está rodando o mundo, se diz contente com a repercussão da imagem, mas que ao mesmo tempo a cena o trouxe uma sensação de "tristeza e impotência". "É horrível o que fizeram"

A fatídica foto que rodou o mundo e mostra Leonardo Boff sentado à sombra da sede da PF após ser impedido de visitar Lula. Foto: Eduardo Matysiak

A imagem da semana, sem dúvidas, é a foto que mostra o teólogo Leonardo Boff sentado na porta da superintendência da Polícia Federal em Curitiba (PR) na expectativa de poder visitar seu amigo, o ex-presidente Lula, que está preso no local. Boff, assim como o prêmio Nobel da Paz, Adolfo Pérez Esquivel, tiveram suas visitas a Lula barradas pela Justiça e a imagem do teólogo de 79, solitário e cabisbaixo diante da recusa em poder fazer uma visita de caráter humanitário, rapidamente tomou conta das redes sociais e ilustrou matérias de veículos nacionais e internacionais.

O autor da imagem emblemática é o fotojornalista de 24 anos Eduardo Matysiak, que vive em Curitiba e acompanha a vigília em apoio a Lula desde o primeiro dia. À Fórum, Matysiak contou que não planejou a foto. Ele estava na frente do prédio da Polícia Federal aguardando uma coletiva de Esquivel quando uma amiga lhe perguntou se ele tinha feito fotos de Leonardo Boff. O fotógrafo, então, decidiu fazer o registro do teólogo, que andava pelo local. “Quando ele sentou, levantou a bengala, eu fiz”, conta.

Matysiak, que colabora com veículos de mídia alternativa como a Fórum, conta que ficou contente com a grande repercussão da foto, já que ela cumpre um papel de “denúncia” e mostra ao mundo que o Brasil está passando por um golpe. Ele pondera, contudo, que sente uma mistura de sensações, que vão da “tristeza” à “impotência”.

“Ainda estou digerindo, porque a sensação é de impotência. Se eu pudesse eu pegava ele pelo braço e levava para os braços do Lula”, pontua.

A imagem em uma situação como a que passa o Brasil trás à tona uma discussão sobre a importância do fotojornalismo atuando com a mídia alternativa, que cumpre um papel de contrapor a narrativa da mídia tradicional ao passar mensagens claras, diretas e de maneira dinâmica sobre o que está acontecendo. No dia da prisão do ex-presidente, uma foto de Francisco Proner também rodou o mundo ao mostrar o tamanho do apoio popular que Lula teve horas antes de se entregar. O mesmo ocorre agora com a foto de Matysiak ao denunciar a maneira com a qual a justiça vem isolando o ex-presidente Lula e seus amigos.

“O fotojornalismo nesse momento é importantíssimo. Às vezes não tem tempo de escrever um texto, mas postar uma foto já passa a mensagem. Isso é o fotojornalismo, passar uma mensagem através da fotografia. Essa imagem revela que o Brasil sofre um golpe e que se continuar assim vamos entrar num estado de exceção. Essa imagem marcou e ainda vai marcar muitas pessoas para sempre”, avalia Matysiak.

 


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