segunda-feira, 21 set 2020
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Baixa do feriadão: Pinguim morre no litoral paulista após engolir máscara

Animal foi encontrado morto logo após o feriado de 7 de setembro, quando milhares, mesmo diante de uma pandemia, resolveram o lotar praias Brasil afora; "Irresponsabilidade", diz presidente de instituto que monitora o litoral

A irresponsabilidade das pessoas que, em meio a uma pandemia, decidiram se aglomerar em praias Brasil afora, já está causando vítimas no mundo animal. No último dia 9, logo após o feriado de 7 de setembro, um pinguim da espécie Pinguim-de-Magalhães foi encontrado morto na praia de Juquehy, em São Sebastião, litoral norte paulista.

Na noite desta terça-feira (15), o Instituto Argonauta, que monitora o meio ambiente da região, informou que recolheu o animal morto e, após a realização de uma necrópsia, constatou que havia no estômago do bicho uma máscara de proteção modelo N95, recomendada apenas para uso hospitalar – e a ingestão da máscara deve ter sido o motivo da morte do pinguim.

“As consequências do grande número de pessoas que frequentaram as praias do Litoral Norte paulista (Ubatuba, Caraguatatuba, São Sebastião e Ilhabela) no feriado prolongado de 7 de setembro não param e, desta vez, podem ter custado a vida de um Pinguim-de-Magalhães (Spheniscus magellanicus), cuja causa da morte está atrelada a uma máscara que foi encontrada dentro do seu estômago”, informou o instituto em seu site.

“Nós já vínhamos alertando o aparecimento de máscara, e esse caso é a prova inequívoca de que esse tipo de resíduo causa mal e mortalidade também na fauna marinha, além da irresponsabilidade da pessoa que dispensa uma máscara em um lugar inadequado, pois é um lixo hospitalar com risco de contaminação de outras pessoas”, afirmou o presidente do instituto, o oceanógrafo Hugo Gallo Neto.

“Nós sentimos que a falta de educação da população que frequenta o litoral norte em relação a questão de resíduos precisa ser trabalhada de forma eficiente em todos os níveis, desde criança nas escolas, ainda com a criação de legislação mais rígida para evitar que as pessoas joguem lixo em qualquer lugar. Também são necessárias políticas de fiscalização na legislação que coíba com multa, e ainda trabalhar a colocação de lixeiras. O impacto não é somente na fauna, mas também na saúde e na questão econômica, porque tem que limpar a sujeira que as pessoas deixam”, completou Neto.

O Instituto Argonauta realiza um monitoramento de resíduos deixados por banhistas no litoral paulista e, segundo o estudo, o pico de máscaras abandonadas nas praias de forma indevida foi justamento no feriado de 7 de setembro, conforme mostra o gráfico abaixo.

Ivan Longo
Ivan Longo
Jornalista e repórter especial da Revista Fórum.