domingo, 27 set 2020
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“Bichos”: Indígenas do Mato Grosso denunciam ataques racistas de moradores ao MPF

Indígenas do povo bororo e xavante que vivem em General Carneiro, no interior do Mato Grosso, denunciaram uma série de áudios e mensagens racistas ao Ministério Público Federal (MPF). Os comentários foram compartilhados em um grupo de WhatsApp de moradores cidade nas últimas semanas.

Moradores acusam os indígenas de serem os principais responsáveis por propagar a Covid-19 na região. Dados da Secretaria de Saúde de General Carneiro apontam 160 casos de Covid-19 no município, sendo 117 deles em indígenas.

Nos áudios, moradores chamam os indígenas de “bichos”, “capetas” e “povo sem cultura”. A informação é de reportagem da BBC News.

“Ô, companheiro, isso daí só é índio, rapaz… não é gente, não. Dentro de General mesmo, o número de infectados é muito pouquinho, graças a Deus. Agora os índios… esse povo aí é sem cultura, sem religião, quem dá conta desse povo aí?”, disse um homem em um dos áudios compartilhados no grupo.

“Palhaçada esse tanto de casos positivos em General. Estou vendo que essa porra desse lugar vai fechar por causa desses índios. Não estou aguentando esses capetas desses índios na porta de casa pedindo comida 24 horas”, disse uma moradora do município.

“Tem que fechar as aldeias, né? Chegar lá, colocar a polícia lá e travar tudo. Teriam que fechar as aldeias para esses ‘bichos'”, afirmou outro homem.

Os bororo de General Carneiro consideraram as declarações como “violência moral, psíquica, ética e cultural” e afirmaram que a situação representa um caso de “preconceito, injúria racial e racismo”.

General Heleno

O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou o pedido de acesso de lideranças indígenas ao vídeo de uma reunião que tiveram com membros do governo de Jair Bolsonaro na sexta-feira (17).

As lideranças dizem ter sido atacadas pelo ministro do GSI, Augusto Heleno, e pelo secretário de Saúde Indígena, Robson Santos. A informação é do Painel, da Folha de S.Paulo.

“Como foi impossível a comunicação adequada entre os participantes, o melhor caminho será o de termos um novo começo, sem reavivar mal-entendidos que dificultem uma solução de compromisso e construtiva, que, de resto, é urgente”, escreveu Barroso em sua decisão.

Redação
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