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22 de junho de 2019, 22h47

Blindado por Moro na Lava Jato, FHC elogia sabatina de ex-juiz no Senado

Ex-juiz foi questionado por nove horas sobre mensagens trocadas com procuradores da Lava Jato; vazamento revela favorecimento a FHC

Blindado pelo então juiz da Lava Jato, que preferia “não melindrar alguém cujo apoio é importante”, FHC elogiou neste sábado (22) o desempenho de Sérgio Moro durante a sabatina no Senado, realizada na última quarta-feira (19).

Em postagem no Twitter, o ex-presidente disse que viu “pela TV o debate entre Moro e deputados (sic)”. Para o tucano, “o ministro se saiu bem; havia mais vontade de destruir e abalar a Lava Jato que de compreender”.

FHC ainda disse quem ganha com a sabatina é a democracia, por ser bom ver autoridades terem de explicar suas ações.

Fernando Henrique não comentou um dos vazamentos feitos pelo The Intercept Brasil no qual ele é mencionado. Em troca de mensagens entre Moro e o procurador Deltan Dallagnol, chefe da força-tarefa da Lava Jato, o agora ministro da Justiça comenta o encaminhamento da investigação sobre o tucano a SP:

“Ah, não sei. Acho questionável pois melindra alguém cujo apoio é importante”

Nas mensagens anteriores, Dallagnol explicava que a investigação de Caixa 2 contra o ex-presidente havia sido encaminhada a SP sem análise da prescrição, e “talvez para passar recado de imparcialidade”. Naquele momento, 13 de abril de 2017, a operação conduzida pelo juiz de Curitiba já despertava a suspeita de visar somente a condenação de Luiz Inácio Lula da Silva.

Foi o primeiro tuíte de Fernando Henrique desde o sábado anterior (15), quando ele havia postado um texto que fazia alusão ao vazamento das conversas e continha críticas ao governo Jair Bolsonaro (PSL). “A troca de mensagens da Lava Jato continua. Idem a de cadeiras no governo. Por enquanto sem relação. Está difícil acertar o rumo”, afirmou na ocasião.

Sobre as informações divulgadas pelo Intercept, FHC só se manifestou na própria terça (18), por meio da assessoria de imprensa de sua fundação. A entidade afirmou que a investigação em questão foi arquivada, e que o ex-presidente desconhece inquéritos ou suspeitas relacionadas a seu governo ligadas à delação do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, relatadas na reportagem do site, assim como menções a seu filho Paulo Henrique na Lava Jato.

Moro foi sabatinado por quase nove horas por membros da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Casa. Questionando à exaustão a veracidade das mensagens obtidas pelo The Intercept e a conduta dos jornalistas do site, deixou de responder a muitos questionamentos, e entre outras afirmações, disse que não tem nenhum apego ao cargo e estaria disposto a renunciar caso seja comprovada alguma irregularidade.


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