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30 de novembro de 2019, 08h03

Brigadistas agradecem em vídeo: “Nosso sofrimento é muito pequeno perto do sofrimento da Floresta Amazônica”

Emocionados, de cabelos e barbas raspados e vestindo camisetas da Brigada de Incêndio Florestal de Alter do Chão, os quatro paulistas que trocaram o Sudeste pela vida simples na Amazônia declaram seu amor pela floresta, afirmam que são vítimas de injustiça e que não pretendem deixar a região e nem se calar

Da esquerda para a direita: Marcelo Cwerver, Gustavo Fernandes, João Romano e Daniel Gutierrez, brigadistas de Alter do Chão (Divulgação)

Daniel Gutierrez, Marcelo Cwerver, João Romano e Gustavo Fernandes, os quatro brigadistas acusados pela Polícia Civil do Pará de provocarem incêndios na Amazônia divulgaram um vídeo na noite desta sexta-feira (29) agradecendo o apoio recebido.

Emocionados, de cabelos e barbas raspados e vestindo camisetas da Brigada de Incêndio Florestal de Alter do Chão, os quatro paulistas que trocaram o Sudeste pela vida simples na Amazônia declaram seu amor pela floresta, afirmam que são vítimas de injustiça e que não pretendem deixar a região e nem se calar.

“Estamos aqui por causa da floresta, por causa da Amazônia. O nosso sofrimento é muito pequeno perto do sofrimento da Floresta Amazônica”, disse Gustavo Fernandes, que é funcionário da ONG Saúde e Alegria e trabalha com educação ambiental de crianças da região.

“Quero agradecer vocês, porque só Deus sabe o tamanho da humilhação por que a gente passou, o tamanho da injustiça que a gente está vivendo”, declarou João Romano, um dos fundadores da Brigada de Alter do Chão.

Leia o relato dos brigadistas

Daniel Gutierrez
“Meu nome é Daniel, sou da brigada de incêndio florestal de Alter do Chão. A gente decidiu gravar esse vídeo pra agradecer todo mundo que apoio a gente, que mandou energia boa, que mandou ajudas, que postou, que tuitou, que acredita na gente, no trabalho que a gente faz aqui. Isso dá muita força pra gente, pra ver que a gente não está sozinho. A gente está passando por um momento muito difícil, sofrendo muita injustiça. Mas a força de vocês dá muita força pra gente mesmo. Eu agradeço demais.”

Marcelo Cwerver
“Eu sou Marcelo, sou um dos diretores do Instituto Aquífero. Eu me apaixonei por Alter do Chão, vim morar pra cá. Eu amo esse rio, eu amo essa floresta. E, apesar dessa dificuldade que está se apresentando em nossas vidas, a gente está fortalecido e sabe que isso vai ficar pra trás, e a gente vai poder retornar nessa nossa missão, e retornar a fazer o que a gente acredita, que é estar em harmonia com a natureza, estar na proteção dos rios, das pessoas que moram aqui, fazendo a nossa parte para que o mundo seja melhor.”

João Romano
“Meu nome é João Romano. Eu moro na Amazônia tem três anos, sou um guardião da floresta, sou um dos fundadores da Brigada de Alter junto com o Daniel. Quero agradecer vocês, porque só Deus sabe o tamanho da humilhação por que a gente passou, o tamanho da injustiça que a gente está vivendo. Quero agradecer imensamente a todo mundo que nos apoiou e abraçou nossa causa. Sem vocês a gente não teria força pra estar de pé agora. Porque está muito puxado mesmo.”

Gustavo Fernandes
“Estou em Alter do Chão desde 2014, trabalho no ecoturismo há mais ou menos 12 anos, e primeiramente queria agradecer aos meus irmãos, meus amigos, o Marcelo, João, Daniel, por terem provado seu amor por mim e terem cuidado de mim durante o cárcere. E terem demonstrado como a força da união, do amor, é muito maior do que qualquer trovão. E agradecer imensamente minha família, meus amigos, toda a mobilização mundial para provar que somos inocentes, que somos pessoas idôneas, e enorme gratidão para todos. Estamos aqui por causa da floresta, por causa da Amazônia. O nosso sofrimento é muito pequeno perto do sofrimento da Floresta Amazônica.”

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