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19 de setembro de 2019, 06h34

Cineasta olavista tem ajuda da Ancine para produzir filme sobre Bolsonaro

No mesmo contexto de cortes no orçamento e censuras a filmes LGBT, Ancine liberou a verba de R$ 530 mil para a produção bolsonarista

Foto: Reprodução/Facebook

O cineasta Josias Teófilo, diretor de O Jardim das Aflições (2017), filme sobre Olavo de Carvalho, foi autorizado pela Agência Nacional de Cinema (Ancine) a captar R$ 530 mil para a produção do documentário Nem Tudo se Desfaz, que trata sobre o contexto que levou à eleição de Jair Bolsonaro (PSL).

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A outra parte da verba do filme será por conta de um executivo do mercado financeiro, cujo nome Teófilo não revelou. Na produção, que terá Carlos Vereza como narrador, Eduardo Bolsonaro é o único entrevistado que aparece em cena. O filme será lançado em dezembro. Informação é da coluna de Sonia Racy, publicada nesta quinta-feira (19) no Estado de S.Paulo.

“O presidente tem se indignado contra o lixo que tem sido produzido no cinema brasileiro, e tem todo direito. De fato, tem muita gente insatisfeita com a Lei Rouanet e Lei do Audiovisual, e não é só na direita, na esquerda também”, disse Teófilo, em entrevista ao blog do Jamildo, ao comentar sobre a captação de recursos da Ancine para o filme.

O apoio da Ancine à produção do documentário de Teófilo vem quase no mesmo momento em que, seguindo orientação do governo Bolsonaro, a Agência rescindiu um termo de apoio a dois filmes com temáticas LGBT e negra para que participassem do Festival Internacional de Cinema Queer, que será realizado em Lisboa, Portugal, neste mês de setembro.

Ainda, para o ano que vem, o Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) – administrado pela Ancine – terá um corte de 43%,  garantindo apenas R$ 415,3 milhões para 2020. É o menor orçamento desde 2012, quando ele recebeu R$ 112,36 milhões.


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