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23 de dezembro de 2019, 07h52

Com Bolsonaro, percentual de empregadas domésticas registradas atinge menor nível desde 2013

Estudo do Ipea indica que com crise, as famílias escolhem diaristas; hoje, 44% das domésticas estão nessa categoria, sem carteira assinada

Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil

Em entrevistas recentes, Jair Bolsonaro faz questão de divulgar que os números da economia são os fatores mais positivos do seu governo. No entanto, a realidade não é bem essa. Um estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), por exemplo, concluiu que as empregadas domésticas estão mais velhas, mais escolarizadas e menos protegidas, de acordo com reportagem de Cássia Almeida, de O Globo.

O perfil dessas trabalhadoras indica que a formalização ficou em 28,6%, o menor nível desde 2013. Naquele ano, o percentual de domésticas com carteira tinha ultrapassado os 30% pela primeira vez, atingindo o melhor cenário em 2016 (33,3%).

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A crise mudou o panorama. Agora, as famílias escolhem diaristas. Hoje, 44% das domésticas estão nessa categoria, sem carteira assinada, contra 36,8% em 2016.

“Com a crise, os encargos pesam e as famílias optam por diarista. Impactos da lei de 2015 (que instituiu cobrança de horas extras e FGTS para domésticas) e da crise se confundem. Havia a expectativa de que, como diarista, a remuneração seria melhor. Se as relações fossem mais profissionais, haveria mais controle do preço cobrado, mas elas estão desprotegidas”, conta Luana Pinheiro, que assina o estudo ao lado das pesquisadoras Fernanda Lira, Marcela Rezende e Natália Fontoura.

O estudo aponta, também, que, desde 1995, alterações no mercado de trabalho, na economia e no acesso à educação levaram a uma transformação no perfil da categoria.

Idosas

Há duas décadas e meia, quase metade das empregadas eram jovens com até 29 anos. Atualmente, elas representam pouco mais de 13% do total. A proporção de idosas (60 anos ou mais) subiu de 2,9% para 7,4%. Hoje, 79,2% das domésticas têm entre 30 e 59 anos, contra 50,2% em 1995.

Por sua vez, a escolaridade das empregadas cresceu. Em 1995, elas estudavam em média de três a quatro anos. Em 2018, elas já tinham sete anos de estudo, em média.

A pesquisa indicou, também, que, entre as mulheres negras, o serviço doméstico é a principal atividade, juntamente com o comércio. Entre elas, 18,6% são domésticas. Entre as brancas, a parcela cai para 10%. Entre as empregadas, 68,4% são negras.


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